Privilégio de uns e agonia de outros

No dia 17 de março, o filho de um rico empresário atropelou e matou o ciclista Wanderson Pereira dos Santos, de 30 anos, na Rodovia Washington Luís, em Xerém, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O corpo da vítima foi rapidamente removido para o Instituto Médico Legal (IML) e o carro do atropelador liberado sem uma perícia mais minuciosa. 

Enquanto isso, nesta quinta-feira, último dia útil da semana por conta do feriado, um motociclista morto após fugir de uma blitz na Barra da Tijuca só foi removido horas depois para o IML, provocando um caos no trânsito da região. Vale lembrar que o prédio do IML fica a cerca de 10 quilômetros do local do acidente.

Isso é ou não privilégio? Se é, de quem? Dos dois mortos anônimos? Para quem foi o privilégio?

Quando noticiou os dois acidentes, o JB já tinha ressaltado que havia privilégios no socorro. Como justificar que um corpo, na Baixada Fluminense, seja removido muito mais rapidamente que um outro na Barra da Tijuca. Isso sem contar que o primeiro acidente ocorreu na noite de um sábado e o outro, na véspera de um feriado, quando o trânsito, por si só, já é caótico.

Isso é ou não privilégio?

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