Afastamento do PPS mostra que deputado não é compatível com o cargo

O pedido de afastamento do Partido Popular Socialista, feito pelo ator e deputado federal Stepan Nercessian (PPS-RJ), depois que gravações telefônicas apontaram que ele teria recebido dinheiro do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de envolvimento com o jogo do bicho, mostra uma inversão de valor do parlamentar. A licença temporária da sigla indica que o político tem vergonha de ter exposto a organização que integra. Porém, ele não demonstra a mesma preocupação em relação ao seu eleitorado.

Se ele assume não ter moral para enfrentar o partido, deveria adotar a mesma ação para com o povo que o elegeu, e que espera sua atitude. 

O parlamentar também deixará a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, da Câmara dos Deputados. 

De acordo com a reportagem publicada pelo jornal “Folha de S. Paulo”, o deputado recebeu R$ 175 mil de Carlinhos Cachoeira. 

O parlamentar admitiu que recebeu o dinheiro e disse que conhece Cachoeira há muitos anos, e recorreu ao amigo porque temia que um empréstimo no banco não fosse aprovado. 

Stepan Nercessian afirmou que depois devolveu o dinheiro. Segundo ele, R$ 160 mil foram usados para a compra de um apartamento. Os R$ 15 mil restantes foram gastos para a compra de um camarote, no Sambódromo, no carnaval deste ano.

Veja a íntegra da carta que Nercessian enviou a Roberto Freire:

Ao Partido Popular Socialista,

Direção Nacional

Sr. Presidente Roberto Freire

Tendo o meu nome aparecido nas gravações que investigam a relação do Sr. Carlos Ramos, Carlinhos Cachoeira, com parlamentares do Senado e da Câmara, solicito licença temporária do PPS, bem como de todos os cargos e funções que ocupo no mesmo, até que todos os fatos sejam apurados e esclarecidos. Coloco-me também,desde já, a disposição do Conselho de Ética do Partido. 

Solicito também que o PPS, me substitua na Comissão de Segurança Publica e Combate ao Crime Organizado da Camara dos Deputados, tendo em vista que essa Comissão participará das investigações que envolvem o caso Carlinhos Cachoeira.

Para tranquilizar, se possível, aos companheiros do PPS, quero lembrar que sou nascido no Estado de Goiás, onde tenho uma legião grandiosa de amigos, familiares e conhecidos e que minha amizade com Carlinho Cachoeira dura mais de 15 anos, antes portanto de ter exercido mandato parlamentar e que nossas relações jamais envolveram negócios ou relações políticas.

Faço isso pelo profundo respeito que tenho a história do PPS e de seus militantes e desde já lamento profundamente que nosso Partido apareça, por responsabilidade minha, em assunto que não lhe diz respeito.