Editorial - uma foto que revela farsa e mostra por que 'JB' foi tão perseguido

O jornal 'Folha de S. Paulo' localizou o homem que documentou a farsa que se tornou o símbolo do regime militar no Brasil.

Com 22 anos de idade, Silvado Leung Vieira fotografou, no dia 25 de outubro de 1975, o corpo do jornalista Vladimir Herzog pendurado com uma corda no pescoço numa cela do DOI-CODI.

Publicada pela imprensa, a foto reforçou a tese de que o suicídio de Herzog era uma farsa, já que seu corpo pendia de uma tira amarrada na janela e as pernas estavam arqueadas, com os pés tocando o chão.

Silvado foi nomeado fotógrafo da Polícia Civil em junho de 1975, após ser aprovado em concurso. 

O relato magnífico que hoje ele faz à imprensa de São Paulo mostra como a Ditadura Militar usava artifícios para matar líderes que se opunham ao regime.

O Jornal do Brasil é citado por esse senhor, que vive nos Estados Unidos desde 1979, como o primeiro jornal a publicar a histórica foto da simulação do suicídio do jornalista. Isso aconteceu ainda em 1975. A revista 'Veja' publicou a mesma foto em 1980, creditando-a a Silvado.

Em seu depoimento à 'Folha', ele reforça: "Tudo foi manipulado, e infelizmente eu acabei fazendo parte dessa manipulação. Depois, me dei conta de que havia me metido em uma roubada".

Nesse depoimento, feito em Los Angeles, onde está radicado desde 1979, o ilustre fotógrafo mostra também por que o Jornal do Brasil foi tão perseguido. Afinal, era o único grande grande jornal a publicar as barbaridades daqueles bufões.

A imprensa que servia aos bufões assassinos não é a mesma que ajudava a pôr fim àquele momento da triste história do governo.

O Jornal do Brasil foi sistematicamente perseguido por adotar uma postura de luta incondicional pela democracia. Mas resistiu.

Outros jornais da época não resistiram. Sucumbiram à pressão e foram eliminados pelas engrenagens que serviam à Ditadura e aos seus fins.