Editorial - Greve na Bahia não pode colocar vidas em risco

Policiais militares e civis são incumbidos de zelar por valores incontornáveis da subsistência de um Estado: segurança pública e incolumidade das pessoas e dos bens, como estabelece o artigo 144 da Constituição Federal. 

O mesmo artigo diz ainda que as polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.

O inciso IV do artigo 142 diz ainda que "ao militar são proibidas a sindicalização e a greve; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)"

É o que diz a Constituição do país.

A greve de agentes de segurança na Bahia é inconstitucional.   

O argumento acima foi usado, inclusive, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, para condenar a greve da Polícia Civil de Brasília e atenta para um detalhe fundamental: ao usar o argumento de que toda greve é democrática, os policiais esquecem que estão atentando justamente contra a democracia. A segurança pública é o braço da Justiça que mantém o estado coeso. Sem ele, não há democracia, Estado ou sociedade. Apenas o caos, como o que prevalece na Bahia desde o começo da semana. 

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Ainda com relação à greve na Bahia, o comportamento da população leva a um questionamento: por que, na ausência da lei, cidadãos se sentem livres para agir como vândalos, levando o caos a todo um Estado? O Brasil parece viver num estado de pré-convulsão. Mas o comportamento do povo está muito distante de uma motivação política. Não há ideologia por trás dos saques. Há apenas a fome. Sem policiamento ostensivo, o povo sofrido aproveita para, finalmente, saciar suas necessidades básicas.