'WSJ': Jogos Olímpicos enfrentam série de problemas inusitados

Custo total do evento atingiu mais de R$ 24 bilhões, 25% acima do planejado

Matéria publicada nesta quarta-feira (13) no The Wall Street Journal, fala que grande parte da infraestrutura que o mundo verá pela televisão durante os Jogos Olímpicos de 2016 já foi construída. O Parque Olímpico está 95% completo, dizem os organizadores, e testes estão sendo realizados em dezenas de modalidades esportivas, do tênis ao mountain biking. “Está quase tudo pronto” no que se refere aos espaços de competição, diz Carlos Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e do Comitê Rio 2016.

A reportagem conta que a sete meses antes da cerimônia de abertura em 5 de agosto, algumas questões sérias sobre a viabilidade da Olimpíada têm surgido. E muitas delas são tão específicas do Brasil que fica difícil prever como terminarão.

A economia brasileira está atravessando uma recessão profunda marcada por desemprego, inflação crescente e redução do PIB. As vendas domésticas de ingressos estão fracas e uma extensão essencial do metrô até o Parque Olímpico pode não ser completada sem novas verbas federais de centenas de milhões de dólares. Escândalos de corrupção e o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff distraem Brasília. Além disso, epidemias de doenças transmitidas por mosquitos se espalharam pelo país, comprometendo ainda mais os recursos do governo num momento em que o país se prepara para receber centenas de milhares de visitantes internacionais.

“Fomos surpreendidos por uma tempestade perfeita formada pela crise política atrelada à intensa crise econômica”, diz Mario Andrada, diretor de comunicação do Rio 2016. “Geralmente, é um ou outro, mas temos os dois, e ambos são intensos.”

Uma das primeiras preocupações dos organizadores é se os brasileiros, que não se importam muito com alguns dos esportes olímpicos, comprarão ingressos o suficiente para atingir as metas financeiras. Até 31 de dezembro, menos da metade dos 4,5 milhões de ingressos reservados para o mercado doméstico haviam sido vendidos. O comitê organizador depende da venda de ingressos para cobrir 17% de suas necessidades orçamentárias. O porta-voz do comitê, Philip Wilkinson, diz que o grupo está “confortável” com as vendas, “considerando que o hábito dos brasileiros é deixar para comprar ingressos mais próximo à data do evento”.

No ano passado, o custo total do evento, financiado principalmente pelos governos federal e local, atingiu mais de R$ 24 bilhões, 25% acima do planejado. O orçamento do comitê organizador local, financiado pela iniciativa privada através de venda de ingressos e patrocínios, também subiu dos R$ 4,2 bilhões anunciado quando o Rio foi escolhido para a sede em 2009, para R$ 7,4 bilhões. 

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