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Produtora do filme sobre Bolsonaro, que movimenta milhões de dólares, funcionava em casa de família nos EUA

A sede da Go Up Entertainment, ligada à cinebiografia de Jair Bolsonaro, funcionava em uma residência em Raleigh e mudou de endereço dias depois da visita da BBC

Por JORNAL DO BRASIL
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Publicado em 10/07/2026 às 08:49

Alterado em 10/07/2026 às 08:58

TALKEI - O ator Jim Caviezel caracterizado como Bolsonaro no filme 'Dark Horse' Foto: reprodução

A sede da Go Up Entertainment LLC, produtora de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, funcionava até o dia 2 de junho em uma casa de dois andares nos subúrbios de Raleigh, na Carolina do Norte, onde mora um dos sócios, o produtor Michael Brian Davis. A reportagem da BBC News Brasil esteve no local em 29 de maio e encontrou sinais de atividade de edição de vídeo, mas, cinco dias depois, os sócios alteraram o endereço da empresa para um prédio comercial na mesma cidade.

Financiamento sob suspeita

O caso ganhou força após revelações do site The Intercept Brasil, que apontou repasses de ao menos US$ 12 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro para a produção. Vorcaro está preso sob suspeita de crimes contra o sistema financeiro nacional. Também vieram à tona áudios e mensagens em que Flávio Bolsonaro teria pedido US$ 24 milhões ao banqueiro, o que o senador nega, afirmando que apenas cobrava parcelas de um pagamento prometido ao filme.

As suspeitas levaram a Polícia Federal a abrir frentes de investigação sobre a origem e a destinação dos recursos. Uma delas apura os repasses atribuídos a Vorcaro; outra, a possibilidade de que parte do dinheiro tenha sido usada para financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos; e a terceira mira emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produtora Go Up.

Estrutura incomum para um longa milionário

Produtores e diretores ouvidos pela reportagem, sob reserva, afirmam que não é comum uma produtora vinculada a um projeto de orçamento milionário operar em imóvel residencial. Segundo eles, a estrutura observada na casa de Raleigh lembra mais pequenas produtoras de curtas de baixo orçamento ou empresas voltadas a vídeos publicitários do que um longa-metragem com cifras que, segundo os próprios envolvidos, já teriam superado US$ 13,3 milhões.

Karina Ferreira Gama, uma das principais nomes por trás da Go Up, afirmou à GloboNews que o projeto já consumiu US$ 12 milhões. Mesmo esse valor supera orçamentos de produções brasileiras recentes premiadas e também de filmes internacionais vencedores do Oscar, o que reforça o estranhamento do setor diante da sede improvisada da empresa nos Estados Unidos.

Quem são os envolvidos

Documentos mostram que a Go Up foi criada em 2021, em Miami, com Davis e Karina como sócios. No Brasil, Karina também abriu uma produtora com o mesmo nome e ampliou sua atuação em negócios ligados a políticas de direita. Davis, por sua vez, tem trajetória no audiovisual cristão e foi apontado como peça importante na aproximação entre Mário Frias, roteirista do filme, e o diretor Mark Nowrasteh, além de ter ajudado a atrair o ator Jim Caviezel para o elenco.

Eduardo Bolsonaro inicialmente negou ligação com os repasses, mas depois admitiu ter assinado contrato como produtor e investido R$ 350 mil no filme, dizendo ter recebido o dinheiro de volta após a entrada de novos patrocinadores. Já a Go Up afirmou que administrou integralmente o orçamento da produção e que não sabia a origem dos recursos. A defesa de Flávio sustenta que o patrocínio ocorreu entre particulares, sem uso de verba pública.

Mudança de endereço e novas dúvidas

A alteração repentina do endereço da produtora, feita em 3 de junho, ocorreu poucos dias após a visita da BBC ao local e no momento em que aumentavam as questionamentos sobre o financiamento de Dark Horse. Davis não explicou o motivo da mudança. Em nota, disse que empresas do setor audiovisual costumam operar com estruturas enxutas e que a sede administrativa não reflete, sozinha, o tamanho de uma produção cinematográfica.

Apesar da defesa dos envolvidos, a combinação entre sede residencial, orçamento elevado e suspeitas sobre a origem do dinheiro mantém o projeto no centro de uma investigação que ainda deve avançar em várias frentes. O caso também amplia o escrutínio sobre relações entre negócios privados, política e captação de recursos para o cinema. (com informações da BBC Brasil)

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