Abertura de Mercado - Investidores atentos aos EUA

No Brasil, a Moody's anunciou ontem à noite que manteve o rating dos títulos do governo em Baa2, mas rebaixou a perspectiva para a nota de risco de crédito, de positiva para estável. Em depoimento em Londres, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, enfatizou a permanência dos títulos do país como grau de investimento e reforçou que as pressões inflacionárias estão sendo colocadas sob controle e que o terceiro trimestre deste ano deve ter um desempenho econômico mais positivo. Além disso, ele sinalizou estar pronto para enfrentar qualquer volatilidade excessiva no câmbio, ressaltando que haverá desafios aos mercados emergentes quando iniciar a reversão dos estímulos pelo Federal Reserve.

Ainda permanece no radar dos investidores a necessidade de uma resolução do impasse fiscal nos Estados Unidos entre Congresso e Casa Branca, o que mantém os mercados internacionais retraídos na manhã desta quinta-feira. Os índices futuros das Bolsas daquele país indicam mais um dia de perdas. A reunião do presidente Barack Obama com os quatro principais líderes do Congresso não diminuiu as diferenças entre os partidos republicano e democrata. A agenda econômica de indicadores pode sofrer atrasos em razão desse impasse.

A agenda norte-americana de hoje começa com os números de redução de postos de trabalho em setembro, seguidos dos pedidos semanais de auxílio-desemprego. Na sequência, é a vez das encomendas à indústria em agosto e o índice ISM de atividade de serviços do mês passado. Os presidentes de três distritais do Federal Reserve discursam à tarde: o presidente do Fed de São Francisco, o do Fed de Atlanta e o do Fed de Dallas.

Na Europa, as principais bolsas oscilam próximas à estabilidade, sem viés definido, com os investidores cautelosos apesar dos dados positivos na China e na zona do euro.

O índice dos gerentes de compras (PMI) composto da zona do euro subiu para o nível mais alto em 27 meses, a 52,2 em setembro, de 51,5 em agosto. Já as vendas no varejo da referida região subiram pelo segundo mês consecutivo em agosto, em 0,7% ante julho, sinalizando que os gastos do consumidor estão em alta. O resultado superou a previsão de alta de 0,2%. Os números de julho do varejo foram revisados para cima. O PMI melhorou na maioria dos países europeus, exceto na Espanha. O Tesouro da Espanha vendeu hoje um total de 3,5 bilhões de euros (US$ 4,75 bilhões) em três bônus, no teto da faixa pretendida e com yields mais baixos. 

O índice de gerentes de compras (PMI) oficial do setor de serviços da China alcançou seu maior nível em seis meses, ao subir para 55,4 em setembro, de 53,9 em agosto, mostrando expansão mais consistente da atividade. No Japão, o PMI de serviços também tem alta. A recuperação econômica do mercado interno e o aumento do imposto sobre vendas previsto para abril de 2014 foram apontados como razões para o avanço.

O dado chinês ofuscou as preocupações com os EUA em boa parte das bolsas asiáticas. O índice Hang Seng, de Hong Kong, fechou em alta de 1,0%. Os mercados da China e da Coreia do Sul ficaram fechados devido a feriado. No Japão, a Bolsa de Tóquio ainda sofreu com a questão do teto da dívida norte-americana e fechou em ligeira baixa de 0,1%.

Os preços do petróleo operam sem direção definida nesta manhã, com os investidores divididos entre o dado firme da China e o risco de uma paralisação prolongada nos EUA. O aumento dos estoques norte-americanos pressiona o contrato do WTI para baixo.

Desejamos Bom Dia a todos e Bons Negócios!

*José Cataldo é estrategista da Ágora Corretora