Alô Marilia, alô Miguel!

Fui ver Alô Dolly, no Teatro Casa Grande, com Marilia Pera e Miguel Falabella, dois dos melhores atores que jamais vi. Marilia fez parte do elenco da primeira peça em que atuei, junto com ela e seu pai, Manoel Pera, um  ótimo ator também.

A peça se chamava: “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, do Vianinha e do Ferreira Gullar, no final dos anos 60, e Marília já surpreendia como atriz e cantora. Agora a vejo representando junto com seu filho, Ricardo Graça Mello, que herdou o dom da mãe, do pai, do avô, da tia, Sandra Pera, Frenética e atriz, que também namorou o Gonzaguinha. Fala sério!...Todos super talentosos em suas diversas artes e diferentes maneira de interpretá-las.

A voz inacreditável de Marília (acho que cada dia melhor), passa por todos os tons que ela estiver interessada no momento, como: alegrar a plateia, entristecê-la, ou fazê-la  gargalhar.

As prendas desta mulher eu já conhecia há muito tempo. As do Miguel, conhecia as que se expressavam como ator, autor e diretor, mas não como um cantor de inesperado vozeirão.

Os dois atores são insuperáveis, também no humor que colocam em momentos especiais  e expressões de rosto.

Assistir Marilia Pera e Miguel Falabella, juntos, contracenando, é um presente obrigatório que não podemos deixar de nos dar.

Também gostei muito do Ricardo, filho da Marilia, que já cantou com seu grupo numa boate, comigo, na época em que ele fez o filme do Antonio Calmon, Menino do Rio, surfando e cantando “enquanto ia pra Califórnia viver a vida sobre as ondas”.

Ricardo também canta no segundo ato de Alô Dolly, que gostei mais que do primeiro, pelas músicas, texto e cenários.

O teatro estava lotado e saí de lá pra falar, na porta, com meus amigos atores, mas o Miguel já tinha fugido, para não ser agarrado por tietes enlouquecidos que passam por ali enquanto o elenco começava a mudar de roupa, o que não tem perigo pra Marilia, agarrada com o marido.

Também soube que nesse dia Miguel estava triste por saber da doença de uma amiga comum de nós todos que se internou num hospital.

Não quis continuar o papo triste depois de sair de uma comédia e de lembrar dos papos e lugares que frequentei com diferentes elencos em décadas passadas onde ninguém ia internado, morria, nem ficava doente, só se divertia no “Helsingor”, aquele restaurante do Leblon, no “Pronto”, na Dias Ferreira, no ” Varanda”, que era do Nelson Xavier, e outros que desapareceram junto com alguns frequentadores, ou a maioria deles.

Então fui tomar um chope com outros amigos num bar da moda pra não pensar nos doentes ou nos que já se foram e me permitir cantar Hello Dolly como um final feliz do dia, dançando disfarçadamente pelas ruas do Leblon, que me acompanhavam, em Inglês, cantando pra mim: “It´s so nice to have you back where you belong...”