Viagem ao Céu

Depois da Turquia, pra onde viajei com meu companheiro, deslumbrada com o Oriente, voltei a Roma, onde morei  três anos na década de 70, fugindo com o meu marido, na época, perseguido pela ditadura militar

Já tinha estado na Itália quando era pequena, onde fui  passear com meus pais e não queria nunca mais sair da Ilha de Capri.

Existem lugares que tocam a gente de uma forma  incontrolável, marcando-nos pro resto da vida. Roma, pra mim, foi amor à primeira vista, e até hoje exerce uma paixão assustadora no meu ser. É uma cidade fiel em que podemos confiar em encontrar as mesmas paisagens e monumentos idênticos, que só se modificam de acordo com o nosso próprio estado de espírito e o da realidade atual dos turistas de agora, chegando a 500 mil no feriadão que passamos por lá, no 1º de novembro, andando como tropas pelas ruas e fazendo filas diante dos monumentos, como a Basílica do Vaticano, por exemplo, que segundo o guarda na praça, no dia em que tentamos entrar, eram 20.000, o que nos fez desistir e voltar algum tempo depois. 

Perguntei por que aquela fila, se antigamente eu entrava e saía daquelas portas maravilhosas quando bem entendia, e ele me falou que era por causa do 11 de setembro e do atentado à Pietá, de Michelangelo. Então, fomos passear pela cidade com um amigo daquela época, que hoje em dia é um fotógrafo famoso na Europa. Ele me levou, sem avisar, ao prédio onde eu morei ao lado da Piazza Navona e só o olhei de relance por causa da emoção, que eu ainda teria que dividir com os outros lugares onde morei também, e o resto da cidade

Então, passei no hotel onde eu ficava com uma amiga e o Guilherme Guimarães, onde só fazíamos rir e nos divertir e que hoje virou um cinco estrelas em frente ao Pantheon. Andei pelo Coliseu, onde também morei numa rua vizinha, procurando sempre trazer esse sentimento jovem e  expansivo para o momento presente, tentando juntar os dois. 

Depois voltamos aos bares da Piazza Navona e tirei fotos nas fontes da praça onde fazia o mesmo com a minha filha de três anos de idade, na época.

À noite, fomos à Fontana de Trevi (Fonte dos Trevos), com o som estarrecedor da sua água fazendo um impressionante fundo musical para os comentários e expressões boquiabertas dos turistas.

A Fonte de Trevi é a maior fonte barroca  da Itália, construída pelo urbanista Leon Batista Alberti  a mando do papa Nicolau V, em 1453. Também voltei à Vila D´Éste, de onde não saía antigamente, com meus amigos, Palácio de Ippólito II, filho de Lucrecia Borgia e neto do papa Alexandre VI.

Ippólito foi nomeado governador pelo papa Julio III com direito a morar na vila que ele reconstruiu em 1550, no estilo Renascentista, com jardins imensos e série de fontes que os circundam, além dos tetos dos palácios, abobadados e coberto de afrescos.

Também encontrei um amigo de sempre que mora desde os anos 70 num vinhedo fora de Roma. Falamos de mil histórias da época, e quinze dias depois saí do parêntesis que proporcionei à minha vida e voltei ao texto corriqueiro e cotidiano da minha vida.