Tempos futuros 

Tento ligar a internet no computador zero quilômetros e milhões de reais que foi instalado ontem no meu escritório, e nada! Nem uma luzinha sequer!

Ha três meses que minha irmã me deu este aparelho que mandei de volta à loja para ser consertado, pois veio com duas peças defeituosas. Depois de um mês ele chegou e agora, depois de fazer um “número” pra mim  que ganharia qualquer prêmio do “Caldeirão do Hulk”, em frente ao técnico que veio instala-lo,  ele resolveu descansar, e não abre mais o olho pra ninguém! Último dia que eu tenho para mandar a crônica pro jornal e ele não tá nem aí!

De repente, consigo ligar, finalmente a internet e fico impressionada!

Pensei que agora que o futuro chegou, assim, de repente, numa odisséia no espaço, teríamos mais conforto, confiança. Gente! A internet resolveu fazer uma lista de tudo o que mata, isso, fora os e-mails que chegam dizendo: “se não repassar esta mensagem para toda a sua lista de e-mails, você morre”

Esta é a primeira ameaça. Aí vem:

1 - Refrigerantes, lights ou normais, sem exceção, todos matam, mesmo aqueles que parecem inocentes como os de frutas coloridas e cheirosas. Matam, pois têm uma fórmula criminosa criada pelo capeta, que ficou miliardário. As fórmulas desses refrigerantes de fruta são, talvez, piores ou iguais às outras, querendo se passar por naturais.

Cigarro mata, mesmo que Humphrey Bogart tenha morrido de outra coisa qualquer.

Agora, maconha, pode. É uma, né?

Celular grudado no corpo mata, por causa do chip, das pilhas, assim como micro-ondas que, vi o exemplo fotografado na internet, transformou em dois minutos uma planta deslumbrante numa espécie de rabo de rato queimado.

Aqueles elásticos de cabelo que se compra em camelôs, feitos na China, passam aids, pois são feitos de camisinhas usadas e, portanto, matam..

Remédios contra mosquitos intoxicam os pulmões, sejam pastilhas, espirais ou sprays..

Passo a noite batendo palmas em torno dos mosquitos, que se sentem lisonjeados e, animados com o sucesso de suas sinfonias em tons e semi-tons, aumentam o grupo de instrumentistas e cantores e ficam se revezando até de manhã. Já tive dengue uma vez, e me apavora a possibilidade der ter uma segunda!

Penso no lixo espalhado pelas ruas da cidade, no tempo do fumacê que, como qualquer coisa que funciona deixou, não sei por que motivo, de existir no Rio de Janeiro, e clamo, de joelhos a São Sebastião em prol da sua cidade, pois não se tem mais diálogo com o semelhante. Aliás, não existe semelhante, muito menos na Comlurb, que eu costumava chamar de vez em quando.

Diálogo falado acabou aqui na nossa cidade, e penso que no mundo.

Único diálogo que existe hoje em dia, não é com palavras, mas com armas. Isso nos cinemas, hospitais, colégios, hotéis, etc. Ninguém mais quer ser mocinho, mas bandido. Bandido é o cara hoje em dia! Até os mosquitos ficam famosos  com as guerras que sempre ganham, transformando as nossas bochechas como se acordássemos depois de uma anestesia para se fazer uma operação de botox.