Prefeito do Rio rebate COI e diz que orçamento dos Jogos seria "chute" 

Após a chegada da bandeira olímpica oficial ao Rio de Janeiro, palco dos Jogos de 2016, o prefeito Eduardo Paes rebateu o Comitê Olímpico Internacional (COI), que neste domingo cobrou o fechamento do orçamento para o evento no Brasil "o mais rápido possível".

Paes disse que está tomando todas a medidas necessárias, mas que alguns aspectos ainda estão indefinidos e não é possível "chutar" quanto será gasto para organizar.

"O que a gente está fazendo: temos um orçamento direto, olímpico, para os atletas, de equipamentos, e outra parte do orçamento que não é olímpica, que é Porto Olímpico, por exemplo. Esse é o primeiro aspecto. E o segundo: nós não vamos ser irresponsáveis. O que está sendo licitado, é porque já temos um preço e valor. O que não temos um projeto definitivo, não dá para chutar. Se estamos contratando o projeto da arena da temporária de natação, de handebol, desse ou daquele equipamento, se eu não tenho o projeto, como é que eu vou chutar o preço? É uma previsão", afirmou Paes.

"Eu posso te afirmar hoje que a infraestrutura do Parque Olímpico custa R$ 500 milhões. Que a Transolímpica custa R$ 1,5 bilhões, e o Cabral (governador) pode afirmar que o Metrô vai custar tanto. Então fica essa ânsia, e podemos dar uma de esperto, mas não vamos fazer isso. Tem valor, tem projeto executivo, ganhou? Está aqui, o preço é esse", completou o prefeito do Rio.

Paes avisou que orçamento só poderá ser fechado na segunda metade de 2013. Ele acredita que esse é um momento histórico para o Brasil, não só pelo fato de a bandeira ser símbolo do maior evento esportivo do mundo, mas porque pode significar uma mudança de mentalidade para o povo brasileiro.

"Eu tive a oportunidade de estar em Londres e ver a transformação daquela cidade em decorrência dos Jogos. Não falo apenas da transformação física, da infraestrutura que o evento proporcionou, das melhorias, mas também de como a Olimpíada mexeu com a autoestima daquele povo. Vejo a chegada da bandeira (olímpica) ao Rio de Janeiro como o início da transformação dos brasileiros", disse o prefeito.

"O povo do Rio de Janeiro passou muito tempo olhando para trás, sem perspectiva nenhuma. A chegada da bandeira é o começo da mudança. Começa aqui a mudança de mentalidade para que o povo possa agora olhar para frente, para o futuro", afirmou.

O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, aproveitou para saudar os atletas olímpicos brasileiros que acompanharam a chegada da bandeira no Brasil, Robert Sheidt, bronze na vela, os irmãos Falcão, medalhistas no boxe, e Maurren Maggi do salto em distância.

"Esse é um momento único na história do Brasil e raro na história do esporte mundial. Temos, a partir de agora, uma grande caminhada", acrescentou Nuzman.