Por 2016, irmãos Falcão pedem centro de treinamento para boxe 

Havia 44 anos que o boxe brasileiro não colocava sequer um atleta no pódio olímpico, e voltar de Londres ostentando três medalhas é motivo, claro, de muita festa. No entanto, na opinião dos irmãos Esquiva e Yamaguchi Falcão, pugilistas que em solo britânico conquistaram medalhas de prata e bronze, respectivamente, este é momento de impulsionar a modalidade com investimentos que mudem a realidade dos pugilistas.

"O boxe ainda não tem um centro de treinamento específico. Se tivesse, o esporte poderia evoluir ainda muito mais", destacou Yamaguchi, bronze na categoria meio-pesado (até 81 kg). "Hoje a gente não tem condições de receber atletas da Itália, Cuba, Rússia e de outros países importantes. É muito pobre, é muito pouco para demonstrar. Esse intercâmbio tão importante fica comprometido", fez coro Esquiva, que perdeu o ouro ao ser derrotado pelo japonês Ryoto Murata na final dos médios.

Com três pódios (além dos irmãos Falcão, Adriana Araújo também levou o bronze), o boxe brasileiro teve um desempenho histórico nestes Jogos, já que antes havia levado apenas uma medalha de bronze com Servílio de Oliveira na Cidade do México, em 1968. O feito fez com que os irmãos Falcão, os atletas mais procurados pelos jornalistas na cerimônia de chegada da bandeira olímpica ao Rio de Janeiro, aproveitassem o assédio para expor a precariedade ainda existente no boxe brasileiro.

"Qual o cenário perfeito? Vou repetir: precisa muito de um centro de treinamento. Treinamos em um clube-escola da prefeitura de São Paulo, que é associada à Confederação Brasileira de Boxe. Acho que, com esse centro de treinamento, com o apoio que precisamos, as coisas podem mudar para 2016", avaliou Esquiva.

"Espero que a chegada dessa bandeira, e com os Jogos aqui, possa nos trazer muito apoio. Espero que esportes como remo, esgrima e até mesmo o boxe, que não são muito conhecidos, possam crescer ainda mais", completou o pugilista de prata em Londres, que confessou que seu feito ainda não foi totalmente assimilado.

"Ainda não caiu a ficha, mesmo depois dessa longa viagem (cerca de 12 horas). Devagarzinho vai caindo. Antigamente andávamos mais com os amigos e hoje estamos ao lado do prefeito, de atletas de super famosos, como a Maurren (Maggi) e o Robert (Scheidt). Então a felicidade é muito grande, é uma honra estar ao lado deles", finalizou o atleta, integrante da comissão que levou o símbolo olímpico máximo para a próxima sede das Olimpíadas, em 2016.