Jornal discute se véu no atletismo diminui a velocidade das atletas 

Sarah Attar fez história nos Jogos Olímpicos de Londres, não por ganhar medalhas ou bater recordes, mas por se tornar a primeira mulher saudita a competir nos Jogos. Com véu (hijab) cobrindo quase todas as partes do corpo, deixando apenas o rosto e as mãos à mostra, ela ficou na última colocação na prova dos 800 m rasos com o tempo de 2m44s95, bem atrás de Janeth Jepkosgei, que venceu a bateria com 2m0s04.

Assim como ela, a palestina Woroud Sawalha comemorou o fato de poder competir com o véu, mas seu desempenho foi muito abaixo do das principais atletas (2m29s19), apesar de ser 15s melhor que o tempo de Sarah Attar.

Olhando para o desempenho das atletas, o jornal espanhol El País levantou uma polêmica: o véu prejudica ou não a atleta? Segundo especialistas ouvidos pelo jornal, não há dúvida que sim. De acordo com o jornal, em uma prova de velocidade, quase tudo que se carrega sobre a pele pode acrescentar décimos preciosos no tempo.

O jornal ainda questiona se Sarah ou Sawalha teriam corrido com o jihad se estivessem brigando diretamente por uma medalha. Segundo o biomecânico Raúl Arellano, ouvido pelo El País, o jihad não fez diferença para estas atletas, pois as chances delas eram muito remotas de passar de bateria, portanto disputaram sem problemas com o véu, mas se elas disputassem a maratona, por exemplo, a vestimenta seria prejudicial, inclusive, à saúde, já que a exposição ao forte calor com o corpo totalmente coberto poderia afetar o atleta.

El País ainda conversou com Woroud Sawalh, que afirmou que sonhava em ir para a outra fase. Ela afirmou que a participação dela nos Jogos foi muito importante para seu país, pois vai mostrar para as mulheres que se trata de um esporte e o público as olha como profissionais naquilo que fazem.

Já para Sarah Attar, a participação nos Jogos já é vista como um prêmio, já que ela foi a primeira mulher do país a fazer parte de uma competição desse nível. O importante para ela foi representar seu país para o resto do mundo.