De freguês a rival temido pelo Brasil, México vira exemplo para Mano 

Se a história e o valor dos jogadores contassem em uma partida decisiva, o pentacampeão mundial Brasil poderia ser considerado o favorito absoluto ao ouro contra o México, neste sábado, às 11h (de Brasília), no Estádio Wembley, em Londres. Mas estreantes em finais olímpicas, jamais campeões do mundo e com apenas um jogador atuando fora do país, os mexicanos impõem respeito à Seleção pelo passado recente de vitórias em confrontos diretos e pela preparação exemplar de um ano e meio para este momento.

Quando terminado o duelo deste sábado, o México encerrará seu quarto torneio com a mesma base, formada a partir de 2010 especialmente para a disputa da Olimpíada. Além de amistosos, disputou o Pan-Americano, o Pré-Olímpico, a Copa América e há dois meses o Torneio de Toulon para afiar o time em busca de uma medalha olímpica. Se não possui estrelas desejadas pelos clubes europeus, por outro lado teve uma preparação que é exemplo para Mano Menezes.

"Falei que o México talvez seja a que mais bem se preparou para a Olimpíada. Levou jogadores Sub-23 para a Copa América. Depois fez os Jogos Pan-Americanos, a base estava lá e foi campeã. Fez como deve ser, com preparação separada, com técnico separado", afirmou o treinador brasileiro, que focou a preparação na Olimpíada a partir de quatro amistosos em maio. Antes, muitos jogadores disputaram partidas pela Seleção principal, é verdade. Mas a base era diferente.

No Brasil, historicamente o técnico da principal acumula também a Seleção olímpica, muito por conta da cobrança em cima de uma medalha de ouro. Especificamente sobre o seu projeto, Mano justifica a opção por encarar o desafio olímpico quando acha ideal a separação pelo cenário do futebol brasileiro. Em sua avaliação, como se criou um hiato de gerações no País e a formação da Seleção para a Copa do Mundo de 2014 passa por um grande aproveitamento de jogadores jovens, a Olimpíada virou uma etapa de amadurecimento para este grupo.

Retrospecto

Além da preparação invejada, o México provoca no Brasil temor por conta dos resultados conquistados recentemente no confronto direto. Se a história aponta uma larga vantagem brasileira, com 20 vitórias, seis empates e nove derrotas em 35 jogos, nos últimos 15 anos o duelo se equilibrou. Desde 1996, quando os dois times passaram a se enfrentar com mais regularidade, são oito triunfos para cada lado e dois empates.

O último confronto, em junho deste ano, terminou com vitória mexicana: 2 a 0 em Dallas em um jogo no qual Neymar foi anulado e o Brasil pouco criou. O México estava com seu time principal e o Brasil com a sua base olímpica, o que impede uma comparação aprofundada com o jogo deste sábado. Mas as lembranças da partida servem de alerta e preocupação.

"Não foi só um problema meu. Nosso time não conseguiu jogar. Sábado será outra história, é outro jogo, agora é final de campeonato. E como eu disse, estamos preparados", disse Neymar, criticado após a fraca atuação contra os mexicanos naquela oportunidade.