Medalhista no boxe, Adriana Araújo dispara contra Confederação

Primeira boxeadora a conquistar uma medalha para o Brasil em Olimpíadas, Adriana Araújo disparou contra a Confederação Brasileira de Boxe e disse que, antes dos Jogos de Londres, foi obrigada a permanecer na Seleção mesmo contra sua vontade. Na manhã desta quarta-feira, Adriana foi derrotada pela russa Sofya Ochigava, mas garantiu a medalha de bronze.

"O povo brasileiro não sabe a dificuldade que tive não só em minha trajetória de 12 anos, mas também nos últimos dois anos. Foram algumas dificuldades que tive que superar na Seleção Brasileira, as depressões por ficar longe da minha família, longe do meu técnico e pelo fato de o presidente (Mauro José da Silva) me obrigar a ficar na Seleção Brasileira e eu não querer. Também consegui superar a derrota que tive no Pan e mostrar a mim mesmo que sou a Adriana Araújo", afirmou a pugilista brasileira.

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Adriana confessou ainda que ouviu pessoas da própria Seleção Brasileira de boxe dizendo que ela não seria capaz de se classificar para a Olimpíada. "Tenho que agradecer a Deus e a todas as pessoas que compartilharam comigo e me ajudaram, até mesmo quem não me ajudou. Muitas vezes me vinham com negatividade, até mesmo alguns membros da minha Seleção. Alguns chegaram e me disseram que não tinha nem capacidade de me classificar, mas graças a Deus trouxe medalha para a Seleção Brasileira e para o boxe do Brasil", completou.

A lutadora afirmou que seu desejo era permanecer treinando com seu técnico, o baiano Luiz Dórea, que também trabalha com o campeão dos pesados do UFC Junior Cigano. Perguntada sobre as dificuldades que enfrentou em sua carreira, Adriana voltou a falar contra a Seleção e disse que outros atletas estão na equipe contra a própria vontade.

"Passei pelas dificuldades que todo atleta brasileiro passa e mais ainda a pela obrigação que o presidente da Confederação Brasileira de Boxe fez sobre a gente atletas a ficar na Seleção, onde ninguém quer ficar. Onde vivem muitos com depressão, eu por não treinar com o próprio técnico, o Luiz Dórea, com quem trabalhei por 12 anos. Sempre esperando esse momento para colher tudo aquilo que foi plantado durante esses anos. Tudo isso fez com que eu lutasse, redobrasse minha luta para chegar aqui nesse momento e trazer essa medalha", explicou a boxeadora.

Perguntado pelo Terra sobre as acusações de Adriana, Cláudio Aires, técnico da Seleção feminina, se recusou a comentar. "Sobre isso você tem que perguntar para ela, porque eu não respondo esse tipo de pergunta", disse o treinador. A reportagem também entrou em contato com o chefe da delegação do boxe, Otílio Toledo, que afirmou que se pronunciará somente após se informar melhor sobre o caso.