Sorteio que definiu destino de Brasil no vôlei é marcado por piadas 

Após uma experiência traumática no Mundial masculino de vôlei em 2010, com acusações de entrega de partidas para evitar confrontos em fases seguintes, a Federação Internacional de Vôlei (FIVB) resolveu inovar na fórmula de definições dos confrontos das quartas dos Jogos Olímpicos de Londres. A nova regra estipula que os primeiros colocados de cada grupo pegam o quarto mais bem posicionado da outra chave. A mudança, porém, aconteceu nos duelos dos segundos e terceiros colocados, que foram para um sorteio para saber quem pegava quem.

Mestre de cerimônias do sorteio, o presidente da Confederação de Vôlei da América do Norte, América Central e Caribe (Norceca), Cristobal Marte Hoffiz, foi um espetáculo à parte. Parecendo estar feliz com a função, o dirigente mostrou os papéis com nomes e bandeiras das quatro seleções que estariam no sorteio. O Brasil, por terminar em segundo do seu grupo, era um dos nomes envolvidos, podendo pegar a Polônia (também segunda colocada, mas na outra chave) ou Argentina (que ficou em terceiro no outro grupo). A Rússia era a outra equipe presente no evento.

Depois de colocar os papéis dentro das bolinhas, Hoffiz chamou dirigentes de Polônia e Argentina para participar do sorteio. Neste momento, o presidente da Norceca arrancou as primeiras risadas da sala ao pedir para o integrante da Polônia tirar a primeira bolinha: "não adianta tentar adivinhar, põe a mão e pega uma bolinha", disse. Após abrir a bolinha, o dirigente percebeu que era a bandeira da Polônia e soltou para o membro da equipe europeia: "parabéns, pegou justo a da Polônia, que sorte".

Quando foi a vez do integrante argentino tirar a segunda bolinha, mais uma "gracinha" de Hoffiz. "E aí, está achando que a bolinha está quente ou fria?", brincou com o integrante argentino, dando a entender que poderia ter armação no sorteio. Após exclamar com vontade que era a Rússia que iria encarar a Polônia, o presidente da Norceca confirmou o duelo entre Brasil e Argentina nas outras duas bolinhas e encerrou pomposamente a cerimônia.

Mesmo saindo de quadra na expectativa por saber o adversário, já que o sorteio aconteceu cerca de 15 minutos depois da partida, os jogadores do Brasil preferiram não entrar em polêmica e evitaram criticar o sistema novo. "Eles estão fazendo isso não sei por qual motivo. Mas a gente não tem muito o que escolher não. Para ser campeão e para chegar no próximo passo vamos encarar quem vier aí. Nós vamos apenas concentrar ao máximo no que nós estamos fazendo até agora", disse o ponteiro Dante.

"Não tem jeito, para ser campeão olímpico a gente vai ter que passar por cima de todo mundo e ganhar esse três jogos. Se a gente ganhar esses três jogos, vamos ser campeões olímpicos. Vai ter Polônia, Estados Unidos, um monte de gente pela frente. Está difícil para todo mundo, não está difícil só para o Brasil não. Se a gente falar que vamos escolher pode acabar se dando mal. Eu lembro que o Brasil caiu numas quartas-de-final diante da Argentina, então não podemos menosprezar nenhum time", completou o líbero Serginho.