Sem medo de errar, Damião renasce na Seleção e briga por artilharia 

Leandro Damião iniciou a Olimpíada de Londres pressionado pela falta de gols na Seleção. Não marcava há 10 meses, tinha o retrospecto de apenas um em 10 jogos e lidava com a sombra de Alexandre Pato. Quatro partidas depois, o camisa nove é o artilheiro brasileiro nos Jogos Olímpicos, muito por causa de sua insistência nos chutes. Sem medo de errar, Damião acredita que só renasceu porque não parou de arriscar.

Prova de sua procura interminável pelo gol está nos números da vitória brasileira por 3 a 2 sobre Honduras, no último sábado. Damião arriscou sete dos 16 chutes do Brasil, três com direção certa. Marcou dois e chegou aos quatro no torneio, um a menos do que o artilheiro senegalês Moussa Konate.

"A gente que é atacante tem que estar chutando sempre. Uma hora a bola vai entrar. Tive tranquilidade na hora de dar o carrinho (em seu primeiro gol) e também na hora de fazer o giro na bola que o Neymar me deu (no seu segundo gol)", afirmou o atacante, que ainda sofreu pênalti convertido pelo atacante santista.

O destemor de Damião com o erro tem ainda mais valor por causa do gol perdido logo no primeiro minuto de partida. Livre, o camisa nove avançou até a entrada da área e exagerou na tentativa de tirar a bola do goleiro. O gol poderia ter deixada a partida um pouco mais tranquila para o Brasil.

"A primeira não deu certo, mas vou sempre arriscar. O importante é que eu não tentei inventar, não tentei nada de diferente. Mas no outro lance já estava pensando em ariscar que uma hora a bola ia entrar", contou o atacante, que em todo o torneio já 11 chutes ao gol, número inferior apenas a Neymar (19) na Seleção Brasileira.

O renascimento coloca Leandro Damião na briga pela artilharia. O jogador está apenas um atrás do senegalês Moussa Konate, já eliminado do torneio, e pode igualar Romário e Bebeto, únicos brasileiros a terminaram uma Olimpíada como goleadores, em 1988 e 1996, respectivamente. Neymar, com três gols, também está na briga.

Mais do que a artilharia, a estratégia de não parar de chutar deu a Damião a tranquilidade na Seleção Brasileira. O jogador ficou na reserva de Alexandre Pato contra a Bielorrússia, mas a sequência de gols faz com que seja improvável uma nova saída do time, como sinaliza Mano Menezes.

"Principalmente nesta posição é importante para a sua autoconfiança que marque gols. Centroavante é um cidadão que pode fazer tudo, mas se não marcar gols não sai satisfeito. Precisamos dele com gols assim", afirmou o técnico, praticamente adiantando a escalação de Damião na semifinal contra a Coreia do Sul, terça-feira, em Manchester.