Após 'decepção' com segurança, Londres convoca mais 1,2 mil militares 

A organização da Olimpíada de Londres confirmou, nesta terça-feira, que mais 1,2 mil militares foram acionados para ajudar no esquema de segurança durante os Jogos. De acordo com o presidente do comitê organizador, Paul Deighton, a decisão de deixar mais militares em aviso para o caso de alguma necessidade é uma forma de evitar novas surpresas com a G4S, empresa contratada para garantir a segurança no local que não conseguiu contratar cerca de 3 mil funcionários a tempo, mas que garantiu ao menos 1 mil seguranças novos até sábado.

Para Deighton, a empresa G4S já demonstrou que não é confiável e, após a "enorme decepção" enfrentada, o comitê olímpico e o governo da Grã-Bretanha achou "prudente" mobilizar mais homens do Exército.

"Foi uma grande decepção. Nós fechamos um contrato com a maior empresa de segurança do mundo, cujo maior cliente era o governo do Reino Unido, e ela nos garantiu que entregaria 10 mil funcionários, mas nos deixaram na mão", disse o presidente do comitê. "A razão pela qual estamos convocando mais 1,2 mil militares é porque não podemos ter certeza absoluta de nada. Nós tínhamos um excelente plano de segurança, que está sendo colocado em prática graças ao Exército, mas o que simplesmente aconteceu é que a empresa demonstrou não ser confiável", disse.

Outros 3,5 mil oficiais do Exército britânico já estão trabalhando no Parque Olímpico, e outros 13,5 mil estarão ajudando na segurança em toda a Grã Bretanha no período. Da G4S, apenas 6 mil dos 10 mil funcionários prometidos começaram a trabalhar na segurança do evento esportivo, segundo o comitê.

Apesar de garantir que os funcionários terceirizados foram capacitados, Deighton admitiu que os militares são melhores treinados - o Exército já assumiu a revista dos portões de entrada dos parques olímpicos. "Nós acabamos tendo uma segurança melhor que o previsto", disse.

O escândalo gerou muita inquietação na população, que teme que o país seja alvo de um ataque terrorista durante o evento esportivo.

Pressionado pelo Parlamento britânico, o chefe da G4S, Nick Buckles, admitiu ter causado uma "confusão humilhante". Ele também disse que sua empresa irá reembolsar os gastos gerados pelas falhas na entrega dos serviços contratados. A G4S venceu uma concorrência de 300 milhões de libras (aproximadamente R$ 950 milhões) e deveria ter fornecido 10 mil seguranças para os Jogos.