Medalhista olímpico diz que é menos conhecido que zagueiro da 2ª divisão 

Apesar de ser dono de uma medalha de prata olímpica, nos Jogos de Pequim 2008, e de dividir o mesmo barco com Robert Scheidt, bicampeão olímpico, o velejador Bruno Prada afirmou nesta quinta-feira que ainda sofre para ser reconhecido no Brasil. O atleta acredita que na Europa os velejadores são muito mais assediados pelos fãs.

"No bairro, na escola dos meus filhos, as pessoas conhecem e torcem por nós. Mas lá fora a gente é muito mais conhecido do que aqui. Lá, em época de competição, as pessoas param para tirar foto, querem uma camisa, é outro nível de reconhecimento", disse Prada.

Para o atleta, isso se deve à obsessão do povo brasileiro pelo futebol. "Na Europa, a cultura da vela é muito maior do que no Brasil. É o país do futebol. Aqui você é menos conhecido que um zagueiro da segunda divisão", brincou o vice-campeão olímpico na classe star.

"Na competição, você está sempre muito longe (do público). A Federação Internacional está tentando fazer regatas mais curtas, com menos barcos, com embarcações menores, para as pessoas entenderem melhor como é", explicou o iatista. "Mas, mesmo assim, a vela nunca será um esporte de arquibancada. Este é um dos grandes problemas", lamentou.

Segundo Prada, a modalidade é muito complicada de entender. "Não é uma pista como Interlagos, que o cara vem e passa o outro. Pode acontecer, no contravento, de ir um barco para cada lado. Um leigo pergunta 'para onde foi aquele outro?', e de repente volta todo mundo junto. Um dos grandes problemas da vela é a dificuldade das pessoas entenderem o esporte."

No entanto, o iatista não pratica o esporte em busca de fama. Para ele, o que importa são as vitórias. "A gente não veleja atrás do reconhecimento das pessoas. A gente veleja atrás de desafios", disse. "Se ganharmos dez competições seguidas, queremos 15. Se ganhar 15, quero 20. Eu sempre almejei o Mundial, mas depois que ganha o primeiro, ele já está na prateleira, aí quero o segundo. E não tem essa de ser bicampeão mundial, bicampeão olímpico. Enquanto a carcaça aguentar, vamos atrás."