"Joguem a vida por grandes ideais", diz Papa Francisco à Pastoral da Juventude

O 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude iniciou no último domingo (18) e teve como palco de abertura a praia da Ponta Negra (Manaus/AM). Para celebrar a vinda dos 500 delegados do Brasil inteiro e sua mistura de cores e utopias o 11° ENPJ foi construído com mãos de jovens e de assessores/as, com muito carinho e cuidado para contemplar a reflexão que nos propõe o lema “No encontro das águas partilhamos a vida, o pão e a utopia” e a iluminação “Mestre onde moras? Vinde e vede” (cf. Jo1, 38-39).

Tendo em vista que a PJ é a maior escola de formação de lideranças da Igreja, (frase dita por Dom Vilson Basso, da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB) é nítida a preocupação, acolhida e cuidado com os jovens da PJ por parte da Igreja. Os jovens hoje, enquanto Igreja, têm a tarefa revolucionária de fomentar dentro da Igreja a cultura do encontro, ou seja, propor uma igreja em saída, em busca do outro.

Para surpresa do jovem Pejoteiro (integrante da PJ) na tarde desta ultima  quarta-feira (21) foi feita a leitura de uma carta escrita pelo Papa Francisco. Imaginem isso, uma carta do Papa para um encontro da Pastoral da Juventude !!!

Sim, isso mesmo! E na carta, Francisco faz um apelo à juventude a se manter firme na caminhada. “Nunca percam a esperança e a utopia, vocês são os profetas da esperança, são o presente da sociedade e da nossa amada Igreja e por sobre todos são os que podem construir uma nova Civilização do amor”. Francisco ainda traz à tona o real desafio para a juventude de hoje: “Joguem a vida por grandes ideais”.

 Leia a carta na íntegra e também receba as bênçãos do nosso querido Papa Francisco

 

Mestre onde moras?

Vinde e vede! (Cf. Jo 1,38-39)

Estimada Aline e meu querido Alberto, que a graça do Jovem de Nazaré permaneça sempre com vocês, e nessa saudação quero abraçar a todos os jovens e adultos que estão participando do XI Encontro Nacional da Pastoral da Juventude nas benditas terras amazônicas. 

É com grande alegria que me dirijo a vocês por meio desta singela mensagem, obrigado por deixar-me participar deste grande e bendito encontro.

Gostaria de começar dizendo que fiquei muito feliz ao rezar e meditar a iluminação bíblica e o lema do encontro.

Essa pergunta habita no coração humano. A respeito de tudo e em todas as circunstâncias. Atesta-o a experiência pessoal, documenta-o a história, confirma-o o relato bíblico. O rosto da pergunta surge no alvor das origens com aquele célebre: “Adão, onde estás? Que fizeste do teu Irmão?”; no templo de Silo no diálogo do jovem Samuel com o sacerdote Helí, nas proximidades do rio Jordão com dois discípulos de João a Jesus de Nazaré: “Mestre, onde moras”? Jo 1, 35-42.

Também, hoje, a pergunta bate “à porta” da nossa consciência: Que queres da vida? Que sentido dás ao tempo? Como geres o instante no todo na tua história pessoal? Tens presente o teu futuro definitivo? E o teu contributo para o bem de todos? Cada um de nós saberá continuar a lista sem dificuldade. 

Toda a pergunta tem resposta. “Vinde e vede”, a resposta de Jesus fica como modelo e pedagogia para todos os peregrinos da verdade. Eles vão e ficam na sua companhia. Deixam-se “moldar” pelo modo de ser do Mestre. Mais tarde serão enviados em missão. E, como outrora, também agora, somos convidados a conviver com Ele, a partilhar a sua vida, a acolher o seu olhar penetrante, a deixar-nos atrair e a “agarrar” pela experiência gratificante que dá resposta aos anseios mais profundos do coração humano.

Os discípulos, na companhia do Mestre, aprenderam os modos de realizar a missão: curar doentes e alimentar famintos, partilhar e viver na alegria sincera, deixar-se conduzir pelo amor universal e generoso, que Deus nos tem, acolher os mais débeis e afastados das fontes da vida. E partem pelos “quatro cantos da Terra” a anunciar a vocação sublime de todo o ser humano, a apreciar e a cuidar a dignidade do seu corpo (toda a sua pessoa), a construir relações na base da regra de ouro “tudo o que queres para ti, fá-lo aos outros”, a reconhecer que só a civilização do amor manifesta, o melhor possível, a convivência sustentada em sociedade e redimensionada na cultura, a vocação de toda a humanidade.

Essa mesma vocação que nos convida a partilhar “A vida, o pão e a utopia”. De que serviria dizer que somos seguidores de Cristo se somos indiferentes às dores dos nossos irmãos? “Mostra-me tua fé sem obras que pelas minhas obras te mostrarei a minha fé” lembra-nos o apostolo Thiago.

Meus queridos e minhas queridas jovens, tenho muita esperança em vocês que dão testemunho com as suas vidas desse Cristo libertador. Esse Cristo que “olhou ao jovem com misericórdia e o amou”, a Igreja também ama vocês e por isso os peço que não se deixem abater pelas coisas que possam chegar a ouvir da juventude, em todo tempo histórico se falou pejorativamente dos jovens, mas também em todo tempo foi essa mesma juventude que dava testemunho de compromisso, fidelidade e alegria. 

Nunca percam a esperança e a utopia, vocês são os profetas da esperança, são o presente da sociedade e da nossa amada Igreja e por sobre todos são os que podem construir uma nova Civilização do amor.

Joguem a vida por grandes ideais. Apostem em grandes ideais, em coisas grandes; não fomos escolhidos pelo Senhor para coisinhas pequenas, mas para coisas grandes!

Que o bom Deus abençoe sempre seus passos e seus sonhos e que a Nossa Senhora aparecida os cubra sempre com o seu manto sagrado.

Com minha benção apostólica.

+Francisco

Vaticano, 21 de Janeiro – Dia de Santa Inês – de 2015. 



 *Walmyr Júnior é professor. Representante do Coletivo Enegrecer como Conselheiro Nacional de Juventude - CONJUVE. Integra Pastoral da Juventude e a Pastoral Universitária da PUC-Rio. Representou a sociedade civil no encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ