Com o que o torcedor botafoguense pode sonhar em 2022?

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Lucas Figueiredo/CBF
Credit...Lucas Figueiredo/CBF

Depois de mais um triste rebaixamento em 2020 – o terceiro no Campeonato Brasileiro –, o Botafogo fez uma campanha incrível na Série B de 2021. O começo foi lento, mas a chegada de Enderson Moreira e o crescimento técnico de várias peças, como Chay, além da melhora coletiva, fizeram a reação ser avassaladora. O acesso veio com a conquista do título da Série B.

De volta à Série A, o Botafogo precisa encontrar seu espaço na elite novamente. Quem entrar nas casas de apostas quando os mercados abrirem para o Campeonato Brasileiro de 2022 verá que a Estrela Solitária provavelmente será um dos clubes com maiores chances para vencer o campeonato – o que quer dizer que o risco é grande e por isso a recompensa paga pelas casas precisa ser maior.

Mas caso você acredite que há, sim, espaço para o Botafogo lutar lá em cima, basta criar uma conta em uma plataforma e dar esse palpite. Por enquanto, essa previsão parece ser bastante otimista.

 

Reforços ainda não chegaram

O Botafogo é um dos vários clubes que sofrem financeiramente, com uma crise que parece interminável. As quedas de receita pela pandemia e o rebaixamento só deixaram a situação ainda mais difícil, e a única solução parece ser a agora anunciada compra do clube, depois de sua transformação em empresa.

Depois do acontecido no Cruzeiro, o Bota é o segundo da lista, como afirmou o CEO da XP, instituição financeira que atuou na negociação. Entretanto, a venda também é envolta em mistérios.

Esse momento divisor de águas pode estar atrasando o planejamento e execução para o próximo ano, o que deve preocupar o torcedor. Pegando o caso do Cruzeiro, o clube mineiro já tinha contratado vários jogadores, mas Ronaldo prometeu grande investimento em atletas além de sanar a situação financeira. É possível que no Botafogo o mesmo se aplique.

Mas enquanto não se contrata ou se decide, Rafael Navarro já acertou com o Palmeiras e Luis Oyama dificilmente deve ser comprado. O zagueiro Kanu interessa ao Corinthians. Elkeson é um sonho, mas de concreto apenas a renovação de Gatito Fernandez, que está recuperado de sua grave lesão.

 

A concorrência é a questão mais difícil

Nem o mais otimista dos botafoguenses acha que dá para chegar na Série A e já questionar o domínio de Palmeiras, Atlético-MG e Flamengo. As diferenças de elenco, poder aquisitivo e organização financeira (ou capacidade de gerar receitas) colocam esses clubes em outro patamar.

Abaixo disso, as forças estão variando bastante. O Red Bull Bragantino e o Fortaleza tiveram anos destacados, o Corinthians investiu bastante em contratações (Renato Augusto, Roger Guedes, Willian), e o Athletico há anos é um clube organizado que contrata bem e não faz loucuras.

Curiosamente um bom exemplo pode vir de um vizinho. O Fluminense não nada em dinheiro e também tem problemas para fechar as contas, mas está fazendo boas campanhas no Brasileirão, com um quinto lugar em 2020 e um sétimo lugar em 2021, ambos garantindo vagas na Libertadores. A campanha continental neste ano também foi boa, caindo nas quartas para o Barcelona de Guayaquil, impedindo um duelo histórico contra o Flamengo nas semifinais.

As boas campanhas do Fluminense podem ser justificadas com boas contratações pontuais e revelações da base que continuam dando vida e enchendo os cofres nas vendas. Com a chegada de Felipe Melo, Willian e a volta de Abel Braga, a expectativa é continuar revelando, vendendo e trazendo veteranos para dar mais casca.

O Botafogo pode seguir esse caminho, claro, caso consiga recursos com patrocínios, a antecipação de cotas da Série A ou a concretização, de fato, de sua venda. Mesmo assim, não adianta se iludir. Clubes com menos história que o Bota, mas muita organização, estão roubando posições e se mantendo na Série A, como o Atlético-GO e o Ceará, e ainda há grandes como Internacional, Santos, São Paulo, entre outros, que têm mais receitas que o Bota, apesar de também não estarem em bons momentos com o caixa.

A Série A será a mais disputada da história e cabe ao Botafogo primeiro pensar nos 45 pontos mágicos para escapar do descenso. A partir disso é outro campeonato que se abre.

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