Sobreviventes do massacre do Realengo vão se encontrar com o papa

Quatro sobreviventes do massacre do Realengo, ocorrido em 2011, quando 12 alunos da escola Municipal Tasso da Silveira, localizada no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, foram mortos por um atirador, serão recebidos pelo papa Francisco nesta quinta-feira no altar montado na praia de Copacabana, na Zona Sul da capital fluminense.

Segundo a Associação Anjos do Realengo, depois, os jovens devem se encontrar com o Pontífice em reunião fechada.

O convite foi feito pela Arquidiocese do Rio. Luan Victor, Michelle Guedes, Tayná Bispo e Lucas Mateus foram os jovens escolhidos para o encontro.

Tragédia em Realengo

Um homem matou 12 estudantes a tiros ao invadir a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, na manhã do dia 7 de abril de 2011. Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, era ex-aluno da instituição de ensino e se suicidou logo após o atentado. Segundo a polícia, o atirador portava duas armas e utilizava dispositivos para recarregar os revólveres rapidamente. As vítimas tinham entre 12 e 14 anos. Outras 18 ficaram feridas.

Wellington entrou no local alegando ser palestrante. Ele se dirigiu até uma sala de aula e passou a atirar na cabeça de alunos. A ação só foi interrompida com a chegada de um sargento da Polícia Militar, que estava a duas quadras da escola. Ele conseguiu acertar o atirador, que se matou em seguida. Em uma carta encontrada com ele, Wellington pediu perdão a Deus e deixou instruções para o próprio enterro - entre elas que nenhuma pessoa "impura" tocasse seu corpo.

Dias depois, a polícia divulgou fotos e vídeos em que o atirador aparece se preparando para o ataque durante meses. Em um deles, Wellington justificou o massacre por ter sido vítima de "bullying" praticado por "cruéis, covardes, que se aproveitam da bondade, da inocência, da fraqueza de pessoas incapazes de se defenderem". Na casa dele, foram encontradas diversas anotações que mostraram uma fixação pelos ataques de 11 de setembro de 2001. O atirador acabou enterrado como indigente 15 dias após o massacre, já que nenhum familiar foi ao Instituto Médico Legal (IML) liberar o corpo.