Zona Oeste do Rio desbanca Sul na hospedagem a peregrinos da Jornada

Os campeões de hospedagem de peregrinos para a Jornada Mundial da Juventude estão bem longe de Copacabana, onde o Papa vai dar uma benção e celebrar uma Via Sacra. Pelo contrário. Os mais dispostos a hospedar peregrinos até o momento estão mais próximos de Guaratiba, onde o Pontífice participa da Vigília do dia 27 e da Missa Campal do último dia de Jornada: Campo Grande e Santa Cruz são os bairros onde as pessoas mais ofereceram suas casas à organização até agora.

"Isso não quer dizer que a zona sul do Rio esteja menos participativa", afirma a irmã Graça Maria, diretora executiva de hospedagem do evento. "Tenho um apartamento em Copacabana, por exemplo, que vai abrigar 20 pessoas."

A irmã explica que Campo Grande e Santa Cruz, na zona oeste, são bairros que têm mais casas que apartamentos e, por isso, as pessoas abrem espaço para mais pessoas. "Só pedimos que as pessoas deem espaço para os peregrinos colocarem seus sacos de dormir. Nada mais do que isso", explica a freira, dizendo que não é preciso oferecer nem mesmo café da manhã para quem vai ficar hospedado em sua casa. "Quem faz a inscrição ganha um cartão que dá direito a café da manhã, almoço e jantar em várias lanchonetes e restaurantes da cidade", explica, fazendo uma ressalva: "mas sei que o carioca sabe receber as pessoas, tenho certeza que vão oferecer alguma coisa a mais para essas pessoas".

A organização prefere não revelar os números exatos de número de lugares em cada bairro da cidade, mas admitem que a participação nos bairros tidos como mais ricos da cidade, incluindo a Tijuca, na zona norte, é menor do que se esperava.

A organização da Jornada Mundial da Juventude espera receber cerca de 2 milhões de jovens durante os dias do evento, que vai marcar a primeira viagem internacional do papa Francisco. Mas onde abrigar tanta gente? Responsável pelo programa de hospedagem da Jornada, a irmã Graça Maria explicou que as contas não são bem assim. "Em Madri foram 2 milhões de pessoas ao evento, mas apenas 447 mil fizeram inscrição e apenas 330 mil solicitaram hospedagem", explicou.

Os números do Rio ainda estão longe disso. Até agora, apenas 250 mil jovens fizeram sua inscrição oficial no evento. "Em Madri, 60% das inscrições foram feitas um mês antes do evento", disse, fazendo questão de diferenciar inscritos de participantes. A previsão da organização é 750 mil jovens façam sua inscrição antes da Jornada e, com base nos números de Madri, é bem possível que se chegue com certa tranquilidade à cifra estimada. "Tenho que seguir trabalhando para alcançar esses números. Se a Jornada fosse hoje, teria 100 mil vagas sobrando, mas não podemos nos acomodar", conta a irmã.

Pelos números dela, até agora o setor de hospedagens tem 350 mil lugares cadastrados. Não apenas em casas de família, mas em escolas particulares e públicas (80 mil em 422 escolas municipais, 15 mil em 83 escolas estaduais). Além do sambódromo - como foi utilizado durante a Rio+20, no ano passado -, clubes, paróquias e casas religiosas espalhadas por toda a cidade do Rio de Janeiro, Niterói e mais oito cidades da região metropolitana também receberão visitantes.

O momento agora é o mais delicado para a organização. É quando as listas dos inscritos são separadas por grupos, idiomas e necessidades especiais, e as relações enviadas para as paróquias. "A paróquia nos diz quantas vagas tem e nós mandamos a lista dos nomes para eles, e eles se encarregam de distribuir por casas e avisar aos peregrinos onde eles vão ficar" explica. Cada casa inscrita recebeu a visita de um membro da organização para verificar condições e espaço real. "Podemos ter, por exemplo, gente com necessidade especial e temos que saber para onde mandá-las, sem que elas tenham dificuldades de locomoção", explica. Mas a irmã Graça Maria pede mais. "Vamos precisar de mais vagas, com certeza. E repito: só é preciso ter um lugar para dormir, nada mais." Os interessados ainda podem se inscrever pelo site do evento ou pelo telefone (21) 3559-4574.