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Guerra Fria (Indicado ao Oscar de filme estrangeiro 2019)

Macaque in the trees
Filme Guerra Fria (Foto: Divulgação)

 

Por Rosangela Dantas

Assim como Ida (2014) de Pawel Pawlikowsk, vencedor do Oscar de filme estrangeiro de 2016, Guerra Fria, do mesmo diretor, é um grande concorrente deste ano. Pawlikowsk não se furta a dar aos seus espectadores um cinema para além de uma narrativa, seu filme nos propõe uma experiência cinematográfica.

Em Guerra Fria é possível “assistir” a música com a força de um personagem, quando o som supera a imagem e se submete à contemplação. Uma história de amor que se hospeda em uma História outra, tão complexa quanto – a poesia na fotografia preto e branco e a vida como argumento para morte.

Zula, Joanna Kulig, desde de sua primeira aparição em cena, demonstra o desconforto de uma estrangeira, dando sempre a sensação de estar fora de seu lugar e, mesmo quando se encontra prestes a viver com seu grande amor, não consegue ir adiante. Sua angustia parece muito mais associada à sua condição política do que aos seus sentimentos amorosos. Sua inquietação, sua falta de pertencimento é que preenchem a história de Guerra Fria.

A guerra fria que se instala no filme, nas relações, nos diálogos é só mais uma maneira do diretor nos levar às muitas possibilidades de olhar as diversas pontas de uma história. O sentimento entre Zula e Wiktor, Tomasz Kot, fala de um encontro improvável. Uma Polônia de 1950 que em nada favorece o amor desse casal, que parece sucumbir ao pano de fundo de sua história.

A tela em 4:3 não é novidade no trabalho de Pawlikowsk, mas essa estética sempre me leva a olhar com cuidado o que ele enquadra e onde estão inseridas as histórias, sejam elas de amor ou de guerra. Não sei se Guerra Fria supera Ida, mas tem tanta beleza visual quanto. Assim como fazer de histórias pessoais, com temas universais, algo íntimo existencial e precário. Sejam as pessoas ou o sistema.

https://www.youtube.com/watch?v=od3m27-7Wnc