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A união faz a força: Vinexpo e Wine Paris juntas em 2020

Rogerio Rebouças

Como havia dito aqui separadas uma das feiras iria sucumbir. A lógica e a necessidade selaram a união. O rumor corria de stand em stand antes do anúncio oficial ao final da XX Vinexpo Bordeaux. Os números do salão que se encerrava mostravam que a queda de 30% da frequência (menos de 30 mil visitantes) e de expositores. Era o sinal de alerta que faltava. A decisão não dependia apenas do novo diretor geral de Vinexpo Rodolpho Lameyse. A Câmara de Indústria e Comércio de Bordeaux, proprietária de Vinexpo, nunca gostou da ideia de ir para Paris. A União de Grands Crus de Bordeaux também era refratária. Mas o bom senso prevaleceu e os produtores saíram aliviados do salão.

A diminuição gradual de Vinexpo Bordeaux começou em 2015 e se acentuou em 2017. Esta perda de velocidade e os números de 2019 a tornavam uma feira quase regional. O novo presidente da influente UGCB, União de Grandes Crus de Bordeaux, Ronan Laborde aceitou a difícil mudança. Resta saber como vai ser esta feira conjunta em Paris entre Vinexpo e Wine Paris (fusão de Vinovision com Vinisud). Como ela vai se chamar? Como será a gestão do evento? Ainda não sabemos. Para o produtor e para o visitante o que conta é que ela terá todo o vinhedo francês presente e muitos “players” internacionais e vai acontecer de 10 a 12 de fevereiro em Paris. Portanto, antes da Prowein e da Vinitaly.

WOW é o espaço dedicado aos vinhos orgânicos na Vinexpo. Foto Rogerio Rebouças

Apesar da esperada queda na frequência as novidades desenvolvidas para esta edição deram certo, segundo os organizadores. Os encontros B to B, WOW o espaço orgânico, as palestras e degustações temáticas atraíram o público alvo. Para Rodolpho Lameyse o novo foco passa por mais negócios, mais conteúdo e mais experiências sensoriais. Já em 2021 Vinexpo deverá ser em abril e em Bordeaux, logo depois da degustação dos vinhos Primeurs. A proposta não teve um apoio unânime. Há a preocupação dela se regionalizar e de criar compradores excluídos da degustação dos vinhos Primeurs. Isto pode acontecer devido à pequena capacidade de receber o público. Natural já que a degustação acontece nos châteaux e é organizada pela UGCB para um público bastante específico: o comprador dos grandes vinhos de Bordeaux que reservam e pagam antecipadamente, isto é, antes dos vinhos ficarem prontos, o que leva dois anos.

O salão para quem expôs ou visitou foi muito produtivo e os negócios aconteceram. Importadores de dezenas de países estavam presentes. Inclusive o chinês Jack Ma, fundador do gigante do e-commerce Alibaba, ele foi homenageado na Festa da Flor que marca o encerramento de Vinexpo. O Brasil estava representado por Cantu, Verdemar, Fasano, Casa Rio Verde, Wine Mania, Vintage Vinhos e Wine.com. Segundo David Quillan, da Cave de Tain no norte do Rhône, foi um salão onde muitos negócios e contatos de grande qualidade aconteceram. “Tivemos tempo de degustar e negociar, sem a correria da Prowein”, assegurou. Santé.