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Deliveroo revela que tipo de cerveja os franceses preferem beber em casa

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Serviço de entrega revela a preferência dos franceses por cor de cerveja. (Foto: Ilustração Deliveroo)

Por ocasião do Dia Internacional da cerveja, 2 de agosto, o serviço de entrega a domicílio Deliveroo entregou, literalmente, quais foram os tipos de cervejas mais pedidas nas principais cidades francesas. Lille, Paris e Estrasburgo, que ficam mais ao norte, preferem as louras. Estas representam 70% dos pedidos de entrega. Já Lyon e Bordeaux estão bem mais equilibradas na preferência 56% para as louras e 43% para as brancas. Em Toulouse, no sudoeste, a preferida é a branca com 80%. Em Marselha, no Mediterrâneo, a turma não gosta de cerveja, afinal foram menos de 50 pedidos em 2018. Será que eles preferem o Pastis ou o vinho? Os dados são baseados em todos os pedidos entregues pela empresa em 2018.
A inglesa Deliveroo cobrirá neste segundo semestre um terço da população francesa. Está presente em 500 cidades, 13 países e tem mais de 2000 empregados. Atende 80 mil restaurantes e utiliza 60 mil entregadores. Fundada em 2013 por William Shu e Greg Orlowski seu desempenho em 2018 ajudou a criar 6500 empregos no setor de alimentação na França. Santé.

François Louis Vuitton virá ao Brasil lançar sua Coleção Pessoal de vinhos GCC

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François Louis Vuitton (à esqueda) e Felipe Galtaroça firmam contrato para trazer ao Brasil a Collection Personnelle do trineto de Louis Vuitton. (Foto: Rogerio Rebouças)

François Louis é tataraneto de Louis Vuitton, que deu origem a grife de malas e bolsas francesas. Grande amador de vinhos e da alta gastronomia lançou em paralelo ao grupo LVMH (Louis Vuitton Moët Henessy), do qual é acionista, seus próprios vinhos em parceria com a Maison Bouey de Bordeaux. Os vinhos são todos produzidos por châteaux Grand Cru Classé de Bordeaux. “São propriedades que conheço e admiro há muitos anos. Adoro o Brasil e vai ser um prazer retornar para lançar minha Collection Personnelle” diz François Louis Vuitton.

Segundo Felipe Galtaroça que está distribuindo a marca no Brasil o lançamento será em novembro com três jantares para 50 pessoas cada, sendo dois em São Paulo nos dias 7 e 8 e um no Rio no dia 11. Os vinhos que inicialmente estamos trazendo são do Château La Gafellière, Château Faugères e Château Cadet Bon. Eles que foram elaborados no estilo FLV, como os amigos chamam François Louis. Não é um vinho idêntico ao primeiro nem ao segundo vinho dos produtores, mas um vinho único, explica Felipe.

A logomarca de FLV foi criada por seu avô Gaston Louis que dirigiu a empresa a partir de 1936. Minha infância eu passei em Paris na residência da família onde hoje são os ateliers Vuitton. Mas sempre amei Bordeaux e tenho uma casa em Arcachon, balneário bordalês, dali para conhecer os produtores e me apaixonar por seus grandes vinhos foi um caso de amor à primeira vista. Junto com Patrick e Jacques Bouey desenvolvemos este projeto que marca o espírito inovador e audacioso das nossas famílias. Santé.

Corbières em festa por apenas 5 euros

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Turistas e moradores do Languedoc curtem a festa dos vinhos do Corbières. (Foto: Rogerio Rebouças)

Lézignan-Corbières é conhecida como a capital da Denominação de Origem Corbières, a maior do Languedoc que é o maior vinhedo AOC do mundo. O evento Corbières em Festa aconteceu nesta última segunda-feira em pleno centro da cidade que tem 12.500 habitantes. Eram 47 vinícolas presentes mostrando as cinco rotas do vinho que que bem representam a diversidade da região. Distribuídos ao longo da avenida principal da cidade em barracas do tipo "chapéu chinês" os vinhateiros mostravam seus vinhos aos moradores e turistas que vieram desfrutar dos bons vinhos e de queijos e embutidos regionais.

O evento é uma iniciativa do Sindicato dos produtores e dos municípios próximos à Lézignan-Corbières. As cinco grandes zonas de produção do Corbières estavam representadas por rotas de visita para o amante do vinho. Passando pelo litoral, o interior, os castelos cátaros, o Cru Boutenac e os terroirs de altitude. Para desfrutar dos vinhos bastava pagar 5 euros (R$ 21) e recebia ma taça, um folheto apresentando cada produtor e uma cartela com cinco tíquetes cada um valendo uma taça de vinho. Para animar os participantes bandas de música tocavam jazz e músicas francesas.

O Corbières é realmente uma grande área. Somente de AOC, isto é sem os IGP, os vinhos regionais que dividem o terroir, são 10.600 hectares com 1210 produtores, sendo 23 cooperativas e 221 adegas particulares. Portanto tínhamos quase 20% das propriedades presentes. Cada um trouxe os vinhos que quis. Brancos, tintos e rosés animaram esta noite ensolarada, isso mesmo, o sol bate forte e só vai descansar às 22 horas.Num calor de 35°C a sombra era disputada e os vinhos brancos e rosés dominaram as preferências no começo da noite.

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Três vinhos do Corbières com estilos diferentes e design arrojado. (Foto: Rogerio Rebouças)

Provei alguns vinhos de amigos que me agradam, revi outros e descobri novos vinhos. Alguns tintos de bom corpo, outros de corpo médio, uns envelhecidos em barris, outros sem a passagem na madeira e calcados na fruta. Vários orgânicos eram oferecidos já que essa tendência vem crescendo. É tanta burocracia no Brasil para validar um rótulo orgânico que a maioria dos importadores evita o selo característico no rótulo principal. Assim o brasileiro compra lebre por gato. Isso mesmo não é gato por lebre. O orgânico tem um custo de produção mais alto por usar defensivos agrícolas que não são sintetizados pelo homem, o que exige um esforço maior na condução do vinhedo e mais horas de tratamento. Resultado mais mão de obra/hora, mais produtos, mais passagens com o trator e mais óleo diesel queimado. Em resumo, dá mais trabalho e usa maior quantidade de produtos, porém há uma maior preservação do meio ambiente local. Na taça é outra história.

Gostei dos vinhos orgânicos da Família Fabre que apresentou um Corbières de ótima qualidade o Château de Luc Les Jumelles 2017 e seu sempre maravilhoso rosé Corbières, ambos produzidos no vilarejo vizinho de Luc sur Orbieu. Já a cooperativa Celliers des Demoiselles, do terroir de Lagrasse, trouxe um muito bom Corbières orgânico. O Languedoc é o maior produtor de orgânicos da França. O Château Le Palais que fica entre Lézignan e Lagrasse trouxe dois Corbières de estilos diferentes o 3 Sòrres, (uma brincadeira com o fonema de soeurs, irmãs) e o 6 Petits Gars (garotinhos). Neste domina a Carignan com 60%, a Grenache 30% e a Syrah com 10% completa o corte. O vinho é frutado e muito agradável. No site por 6,38€ (R$26,30). Já a cuvée 3 irmãs tem um corte com 80% de Mourvèdre e 20% de Grenache, maior complexidade e permite um envelhecimento maior. Evidentemente que as 3 Sòrres custam mais caro, saem no site por 10,20€ (R$ 42,00). Se 6 Petits Gars caiu bem com uns frios o das 3 irmãs implorava por um prato de comida. Santé.

 

Cresce o consumo de vinho rosé no Brasil - França lidera

O brasileiro segue preferindo beber vinhos tintos, 77%, brancos, 18,3% e rosés, 4,6%, mas o que chama a atenção é o crescimento do consumo dos rosés. No último ano tintos encolheram -6,7%; brancos cresceram +9,1% e rosé subiu mais 40,2%. Estes são os dados da Ideal Consultoria para 2018. Se formos olhar de 2014 a 2018 os números são ainda mais expressivos. Tintos crescem 37%, brancos 53,8% e rosés 278,9%. A França é o quinto fornecedor brasileiro atrás de Chile, Argentina, Portugal (estes empatados tecnicamente) e Itália. O país de Molière lidera o mercado de rosés.

Essa liderança se deve muito ao trabalho dos vinhos da Provence nacional e internacionalmente. A França soube criar, posicionar e promover um estilo de rosé. O estilo Provence, de cor clara, delicado e frutado. Isso ajudou todos os vinhos rosés da França. Dentre os franceses os rosés respondem por 25,4%, bem na frente dos brancos que respondem por 13,1%. Com uma taxa de crescimento nos últimos 5 anos de 244,5%.Os vinhos da Provence cresceram 265,7% nos últimos 5 anos. É de longe a região francesa que mais cresce. O brasileiro está entendendo que num país tropical e quente como o Brasil o rosé merece mais oportunidades. Na França o crescimento também é enorme.

Se a França tem 25,4% o segundo colocado é surpreendentemente os EUA, com 7,3% devido a moda do Zinfandel, seguido de África do Sul 7% e Portugal 6,7%. Inusitado é que o vinho francês líder em 2018 passou a ser o Rosé Piscine, que se bebe com gelo e não é da Provence. Mercado outrora liderado pelos vinhos do Château de Berne da Provence. Santé

Qual selo deixa o vinho mais verde?

Que o francês adora uma sigla ou uma abreviação o leitor do blog já sabe. Agora para ele entender o que um monte de logos e siglas significam numa garrafa de vinho é realmente complicado. Alguns logos são quase confidenciais. Uma sopa de selos busca identificar a preocupação e o compromisso do produtor com o meio ambiente e a qualidade do que bebe. e, principalmente, atrair o consumidor. Além do cliente não entender nada, inclusive o francês, há uma disputa entre os vinhateiros para saber quem é o mais ecológico. Qual o valor de cada logo? O tema foi levantado pela principal revista de vinhos francesa a La Revue du Vin de France, também chamada de RVF na edição deste mês.

A primeira certificação nasceu em 1928 com a Demeter, seguida de Nature et Progrès em 1963, a certificação orgânica em 1985, Biodyvin e Terra Vitis em 1998, o selo europeu orgânico em 2010, HVE, Haute Valeur Environnementale (Alto Valor Ambiental, tradução literal) em 2014,... As certificações não param de crescer. A turma adora um certificado para dizer que lava mais branco do que a concorrência, opa, digo lava mais verde.

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Logomarca de empresas certificadoras do vinho. (Foto: Rogerio Rebouças)

Mas quem entende tudo isso e qual a diferença? A batata quente dos pesticidas é banida por S.A.I.N.S., Nature et Progrès, Biodyvin, Demeter e pelos selos orgânicos francês e europeu. Mas não é proibido pelo HVE o mais alto nível de certificação público. Terra Vitis fica no meio do caminho ao não exigir que o vinho seja orgânico, mas proíbe inseticidas e herbicidas. Já na hora de se preocupar com o tratamento das águas e resíduos HVE e Terra Vitis apontam o dedo para os orgânicos e biodinâmicos que não são obrigados a efetuar esse tipo de procedimento. Terra Vitis se preocupa com tratamento de resíduos, biodiversidade, condições de trabalho, emissão de carbono e pratica a condução de forma convencional racional. Já a S.A.I.N.S. é da turma do vinho natural, não pode nada, mas também não obriga a tratar resíduos ou diminuir a emissão de carbono.

As de maior representatividade na França são a de vinhos orgânicos que hoje representam 10% dos produtores, a Terra Vitis tem 640 produtores, mas responde por 60 milhões de garrafas. Os biodinâmicos de Demeter, 387, e Biodyvin, 149 produtores, mas com um volume de produção muito menor. Alguns grandes produtores preferem Terra Vitis que se preocupa mais com o meio ambiente, mas não exige ser orgânico. Assim evita riscos de produção como no grande ataque de míldio ano passado. Os orgânicos e biodinâmicos tiveram perdas enormes e superiores aos que conduzem o vinhedo de forma convencional. Na taça apenas a pequena Biodyvin faz o teste e defende um perfil de qualidade. Santé.

France Agrimer fornece informa√ß√Ķes equivocadas aos produtores franceses sobre o Brasil

As grandes tendências de consumo e exportação do vinho francês foi o tema da conferência de imprensa organizada no último dia 11 por France Agrimer, Estabelecimento Nacional da Agricultura e do Mar e o Comitê Nacional da Interprofissão dos Vinhos com Denominação de Origem e Indicação Geográfica, CNIV. Ufa, como o francês adora nomes grandes e depois criar siglas para abreviar. Com base nos estudos elaborados pela Kantar World Panel e por Dowel, EY, Klorobiz e Allison Bonnet.
Na primeira parte do estudo da Kantar World Panel, apresentado por Marie-Henriette Imberti, o objetivo foi analisar as grandes tendências no mercado para produtos de grande consumo, especialmente as bebidas, evolução do circuito (consumo em casa ou fora de casa) e o perfil do consumidor de vinho. O consumo de vinhos orgânicos se limita a 9%, mas sua penetração triplicou nos últimos sete anos, o que aponta para uma tendência e mostra a preocupação do consumidor com o meio ambiente. O percentual de lares que compraram bebidas sem álcool (cervejas, vinhos, ...) passou de 15,5% em 2015 para 24% em 2018, outra tendência. O consumo de cerveja subiu e passou de 14% (2014) para 17% (2018). O painel foi realizado junto a 12000 lares na França das mais diversas regiões, classes sociais e idade.

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Estudo apresentado por France Agrimer mostra dados incoerentes. (Foto: Estudo France Agrimer)


Já a segunda parte foi dedicada a análise transversal da percepção do vinho francês sobre seus mercados alvo (pelos operadores), evolução dos mercados, questões e oportunidades. Dentre os 13 países analisados – China, Brasil, Japão, Polônia, EUA, Canadá, Reino Unido, Holanda Bélgica Suécia, Alemanha, Austrália e Suíça, o Brasil responde por modestos 0,4% das exportações francesas, o menor mercado do grupo analisado. Apesar de não sermos um grande mercado para o vinho francês o Brasil oferece um potencial de crescimento importante, afinal é um grande país de cultura ocidental. O estudo foi realizado por Dowel, EY, Klorobiz e a consultoria Allison Bonnet. O estudo mostra a composição da oferta e seu posicionamento por faixa de preços e segmentos.

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Estudo erra ao citar principais concorrentes dos vinhos franceses no Brasil. (Foto: Estudo France Agrimer)

O consumo de cerveja, diferentemente da França, cai nestes países, com exceção da Suíça, e favorece o consumo do vinho. No Brasil acho que o grande perdedor foi o uísque, um destilado. Mas me faltam dados hoje para ser categórico. Vou apurar. Outro slide mostra a queda de consumo em bares e restaurantes, que ficam com 16% das vendas e o consumo em casa com 84%. Tem lógica. Já que a Lei Seca e a segurança levaram muitas pessoas a preferirem beber em casa Mas o que de fato me chamou a atenção foram outros dados que pude verificar com muita certeza com base nos relatórios da Ideal Consultoria. As vendas pela internet no Brasil aparecem no estudo como representando 35% do total. Mesmo sendo uma pesquisa qualitativa sabemos que o comércio on-line de vinhos representa 10% a 12% do total, em se considerando os importadores que são 100% ou majoritariamente on-line. Mesmo se somássemos as vendas de outros atores que também fazem venda complementar de vinhos pela internet não chegaríamos nunca a este altíssimo percentual.

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Relatório da Ideal Consultoria, baseado em números oficiais da Receita Federal, mostra que a Itália não é concorrente importante para os vinhos franceses rosés. (Foto: Ideal Consultoria)

Outro ponto que me causou perplexidade foi quando citam os principais concorrentes dos vinhos franceses por cor. Tintos apontam para os chilenos. Concordo. Eles lideram com folga o segmento. Brancos citam Chile (15,7% dos vinhos chilenos exportados são brancos, como eles lideram 46% do volume a informação é justa), Brasil e Itália (exporta 41% menos do que Portugal), informação errada. Mas o que me choca são os concorrentes dos vinhos rosés, único mercado onde a França lidera, aqui eles citam exclusivamente a Itália. Me parece um erro grosseiro. Em 2018 segundo a Ideal, a França exportou 25,4% do volume de rosados, os EUA 7,3%, foi a moda do Zinfandel, seguido pela África do Sul, 7%, Portugal com seu popular Mateus Rosé atingiu 6,7% e Espanha com 5,8% é a quinta colocada. A Itália se contenta com um modesto sexto lugar e 3,2% de participação. Bem longe dos demais concorrentes.
Com estes números as análises as consequentes decisões ficam seriamente prejudicadas. Quatro empresas badaladas dando informações imprecisas. Falo da parte que cabe ao Brasil neste latifúndio. Procurado por Conexão Francesa o assessor de imprensa não deu retorno até o momento. Santé.







Crise brutal mexe com estratégia dos vinhos de Bordeaux

A desaceleração da economia chinesa, a mudança mundial no hábito de consumo do vinho, que provocou um aumento das vendas de vinhos rosés, Crémants, Blanquettes – os espumantes AOC’s da França – e uma imagem de vinhos caros tem causado queda nas vendas e um excesso de estoque. Os grandes vinhos se vendem muito bem, obrigado. Mas os vinhos de menor valor agregado sofrem. A boa safra de 2018 ainda está nas adegas e depósitos. A nova safra 2019 está se aproximando e ela vai precisar de espaço. A queda na venda dos supermercados franceses também não ajuda, eles são responsáveis por 50% das vendas. Casino, Carrefour, Auchan, e outros estão passando por uma grave crise, a crise dos hipermercados, e fechando várias unidades. O resultado são preços em baixa em relação ao ano anterior. A safra pequena de 2017 fez subir os preços em até 30%, o que afugentou clientes. Retomar o mercado não é fácil. Mas Bordeaux está reagindo. A nova safra deve trazer mais vinhos rosés e espumantes.

O presidente do Comitê Interprofissional do Vinho de Bordeaux, CIVB, Alain Sichel confirmou que houve alta nas exportações de 4% em valor, mas queda de 13% em volume em 2018. Essa alta beneficia principalmente os vinhos super-premium. Estamos sofrendo na China a concorrência de vinhos chilenos e australianos que não pagam imposto de importação. Essa mudança de tendência prejudica os tintos, beneficia rosés, brancos e espumantes e nos obriga a promover mais os vinhos rosés de Bordeaux. Diversas ações de verão estão previstas. O produtor está sendo convidado a ir ao encontro do consumidor em toda a França e em qualquer local. Precisamos falar e fazer degustar nossos vinhos. Afinal, também temos o Crémant de Bordeaux, brancos e rosés de qualidade. Vamos reagir com movimentos rápidos e radicais, assegura Sichel do CIVB. Alguns negociantes já se preparam para lançar com a safra 2019 mais e novos rótulos de vinhos rosés para poder acompanhar as mudanças do mercado e mesmo passar a ter na carta o espumante AOC Crémant de Bordeaux. Esses são os planos da Maison Bouey, produtor e negociante que tem bastante força no Médoc.

Os vinhos de Bordeaux são bons e com a melhor relação qualidade preço do mundo, nos ensinou Robert Parker. Há um pelotão de grandes e raros vinhos que são caros. São menos de cem vinhos nesta categoria. Os demais são best buy. Claro, que tem muito vinho baratinho, de primeiro preço, de Bordeaux, que não tem a tipicidade da região o que atrapalha a imagem coletiva. Se o bolso permitir evite o primeiríssimo preço, aquele mais barato de todos. Este preço baixo tem um custo alto no paladar e na hora de beber pode gerar uma certa decepção.

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S'tard é o prazeroso Bordeaux do Château Soutard um Cru Classé de Saint Émilion. (Foto: Rogerio Rebouças)

Mas Bordeaux é sempre Bordeaux. No Rio encontramos vinhos que dão alegria por menos de 100 reais. No Zona Sul Château Platon a R$ 75,60 e S’tard, o Bordeaux do Château Soutard um Grand Cru Classé de Saint Émilion sai por R$ 89,64. Já em Belo Horizonte o Château Fontaine de Genin a R$89,90 é um best buy de Robert Parker. Na Evino o Château La Jalgue, com medalha de ouro em Paris, está por 89,90€. Todos oferecem prazer garantido. Quando você tiver que comprar um Bordeaux entre 30 e 40 reais veja se tem uma medalha ou se é de uma safra boa como 2015, 2016, ou 2018. Nestes casos não adianta sonhar alto, se for agradável e frutado está justo. Os bons produtores fazem bons vinhos em todas as safras, mesmo nas mais difíceis. Na verdade, é neste momento que eles mostram que são realmente bons. Santé.

 

Ch√Ęteau S√©rilhan 2010 √© um aut√™ntico Saint-Est√®phe

Há uns cinco anos um supermercado de minha cidade, aqui no interior da França, trocou de mãos e o novo proprietário fez uma queima do estoque antigo de vinhos, inclusive de alguns bons vinhos como o Château Sérilhan, Saint-Estèphe, 2010, safra excepcional. Hoje este vinho é vendido na faixa dos 25€. Na promoção começou por 10€. Tinha a prateleira de 10, 5 e 2. Quando vi a promoção já estava no final e havia um desconto extra de 50% nestes preços loucos. Peguei o que pude.

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Château Sérilhan 2010 é um autêntico representante da denominação. (Foto: ROGERIO)

Nesta quarta-feira em jantar com amigos servi o Château Sérilhan para acompanhar uma maminha malpassada. Como manda o figurino da margem esquerda havia um domínio da Carbernet Sauvignion, 48%, sobre a Merlot 45% e um tico de Cabernet Franc, 2%. A videiras são plantadas em alta densidade com 8500 pés por hectare. É assim que os grandes crus fazem em Bordeaux. O rendimento é de apenas 50 hl/ha e o envelhecimento em barris é de 18 meses. Saint Estèphe tem nos Châteaux Montrose e Cos d’Estournel suas grandes referências. Sérilhan, um Cru Bourgeois representa bem a denominação de origem e vai nos oferecer um vinho encorpado, elegante e sólido. Seus taninos estavam perfeitamente integrados e o comprimento era bastante longo. Na boca estava macio e com muito boa complexidade. O enólogo consultor Hubert de Bouard, do Château Angelus, começou nesta safra a orientar a propriedade. O vinho realmente se mostrou no seu apogeu. 4**** Santé.

Três estados na final do concurso Challenge Internacional Sud France etapa Brasil

Raimundo Mesquita Pires do Rio de Janeiro com 85,3 pontos, Marc Dollinger, São Paulo, com 80 pontos e Gustavo Giacchero de Pádua, Minas Gerais, com 71,8 pontos se classificaram para a final da etapa Brasil do Challenge Internacional Sud France que acontece dia 13 de setembro no Rio de Janeiro no restaurante Érico, na Barra da Tijuca. A primeira etapa foi uma prova escrita de nível internacional, similar às provas para que o sommelier obtenha o certificado Master Level Sud de France. O concurso é o resultado de uma parceria entre a ABS-Rio, Agência Regional de Desenvolvimento Econômico da Régião Occitânia, AD’OCC e Sud de France, com apoio da ABS-MG e a colaboração da ABS-SP. Os resultados foram divulgados no dia 8 pela ABS-Rio.

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Raimundo Pires, sommelier do Rio de Janeiro, se classificou em primeiro lugar na prova escrita do Challenge Internacional Sud France etapa Brasil. (Foto: Rogerio Rebouças)

Eram 11 candidatos e a prova aconteceu simultaneamente na ABS de Rio, Minas e São Paulo. Raimundo nasceu no Ceará, tem 42 anos, é sommelier homologado pela ABS e venceu o X Concurso Regional de Sommelier em 2017 e o conquistou Prêmio Brasil de Sommelier 2019 de vinhos brasileiros. Marc Dollinger é franco brasileiro nascido em São Paulo, formado em gastronomia pela Anhembi-Morumbi e em sommellerie pelo Centre de Formation Professionelle et de Promotion Agricole de Beaune, na França. É sommelier na Vinoteca Empório Santa Maria em São Paulo. Gustavo de Pádua é sommelier e gerente operacional do restaurante Alma Chef em Belo Horizonte e já trabalhou nas importadoras Porto a Porto, Vinci e Decanter.

A grande final vai acontecer no dia 13 de Setembro, à tarde, no restaurante Érico na Barra da Tijuca. O restaurante de Gabriella Vieira e Janine Sad tem como diferencial oferecer vinhos da adega Hara, com quem divide o espaço, ao mesmo preço da loja. A cozinha é cosmopolita integrando diversas culturas gastronômicas no cardápio. Nas provas práticas haverá correção de carta de vinhos, degustação às cegas, serviço e harmonização. A prova terá o mesmo nível das provas internacionais e as questões foram especialmente preparadas pela UDSF, a Union de La Sommellerie Française. O vencedor irá representar o Brasil no Challenge Internacional Sud de France que deve acontecer durante a Wine Paris 2020 em fevereiro, segundo os últimos rumores. A coordenação das provas está sendo organizada pelo presidente da ABS Rio Joseph Morgan e pelo diretor de ensino Ricardo Farias. Santé.

Acordo Mercosul - UE: apenas espumantes AOP terão alíquota zero imediatamente

O Secretário Geral do CEEV, Ignacio Sánchez Recarte revisou suas anotações e corrige informando que o Champagne não terá alíquota zerada imediatamente, mas somente os espumantes com preço de exportação superior a 8 US$ o litro, ou 6 US$ a garrafa de 750 ml o que equivale a 5,32€ na cotação atual. O Champagne vai ter o mesmo tratamento do vinho tranquilo e sua alíquota de 27 % vai baixar linearmente ao longo de 8 anos. Uma pena já que o Champagne não concorre na mesma praia do espumante brasileiro e seu preço de exportação começa na casa dos 10€ para os mais simples. Santé.