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Ch√Ęteau S√©rilhan 2010 √© um aut√™ntico Saint-Est√®phe

Há uns cinco anos um supermercado de minha cidade, aqui no interior da França, trocou de mãos e o novo proprietário fez uma queima do estoque antigo de vinhos, inclusive de alguns bons vinhos como o Château Sérilhan, Saint-Estèphe, 2010, safra excepcional. Hoje este vinho é vendido na faixa dos 25€. Na promoção começou por 10€. Tinha a prateleira de 10, 5 e 2. Quando vi a promoção já estava no final e havia um desconto extra de 50% nestes preços loucos. Peguei o que pude.

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Château Sérilhan 2010 é um autêntico representante da denominação. (Foto: ROGERIO)

Nesta quarta-feira em jantar com amigos servi o Château Sérilhan para acompanhar uma maminha malpassada. Como manda o figurino da margem esquerda havia um domínio da Carbernet Sauvignion, 48%, sobre a Merlot 45% e um tico de Cabernet Franc, 2%. A videiras são plantadas em alta densidade com 8500 pés por hectare. É assim que os grandes crus fazem em Bordeaux. O rendimento é de apenas 50 hl/ha e o envelhecimento em barris é de 18 meses. Saint Estèphe tem nos Châteaux Montrose e Cos d’Estournel suas grandes referências. Sérilhan, um Cru Bourgeois representa bem a denominação de origem e vai nos oferecer um vinho encorpado, elegante e sólido. Seus taninos estavam perfeitamente integrados e o comprimento era bastante longo. Na boca estava macio e com muito boa complexidade. O enólogo consultor Hubert de Bouard, do Château Angelus, começou nesta safra a orientar a propriedade. O vinho realmente se mostrou no seu apogeu. 4**** Santé.

Três estados na final do concurso Challenge Internacional Sud France etapa Brasil

Raimundo Mesquita Pires do Rio de Janeiro com 85,3 pontos, Marc Dollinger, São Paulo, com 80 pontos e Gustavo Giacchero de Pádua, Minas Gerais, com 71,8 pontos se classificaram para a final da etapa Brasil do Challenge Internacional Sud France que acontece dia 13 de setembro no Rio de Janeiro no restaurante Érico, na Barra da Tijuca. A primeira etapa foi uma prova escrita de nível internacional, similar às provas para que o sommelier obtenha o certificado Master Level Sud de France. O concurso é o resultado de uma parceria entre a ABS-Rio, Agência Regional de Desenvolvimento Econômico da Régião Occitânia, AD’OCC e Sud de France, com apoio da ABS-MG e a colaboração da ABS-SP. Os resultados foram divulgados no dia 8 pela ABS-Rio.

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Raimundo Pires, sommelier do Rio de Janeiro, se classificou em primeiro lugar na prova escrita do Challenge Internacional Sud France etapa Brasil. (Foto: Rogerio Rebouças)

Eram 11 candidatos e a prova aconteceu simultaneamente na ABS de Rio, Minas e São Paulo. Raimundo nasceu no Ceará, tem 42 anos, é sommelier homologado pela ABS e venceu o X Concurso Regional de Sommelier em 2017 e o conquistou Prêmio Brasil de Sommelier 2019 de vinhos brasileiros. Marc Dollinger é franco brasileiro nascido em São Paulo, formado em gastronomia pela Anhembi-Morumbi e em sommellerie pelo Centre de Formation Professionelle et de Promotion Agricole de Beaune, na França. É sommelier na Vinoteca Empório Santa Maria em São Paulo. Gustavo de Pádua é sommelier e gerente operacional do restaurante Alma Chef em Belo Horizonte e já trabalhou nas importadoras Porto a Porto, Vinci e Decanter.

A grande final vai acontecer no dia 13 de Setembro, à tarde, no restaurante Érico na Barra da Tijuca. O restaurante de Gabriella Vieira e Janine Sad tem como diferencial oferecer vinhos da adega Hara, com quem divide o espaço, ao mesmo preço da loja. A cozinha é cosmopolita integrando diversas culturas gastronômicas no cardápio. Nas provas práticas haverá correção de carta de vinhos, degustação às cegas, serviço e harmonização. A prova terá o mesmo nível das provas internacionais e as questões foram especialmente preparadas pela UDSF, a Union de La Sommellerie Française. O vencedor irá representar o Brasil no Challenge Internacional Sud de France que deve acontecer durante a Wine Paris 2020 em fevereiro, segundo os últimos rumores. A coordenação das provas está sendo organizada pelo presidente da ABS Rio Joseph Morgan e pelo diretor de ensino Ricardo Farias. Santé.

Acordo Mercosul - UE: apenas espumantes AOP terão alíquota zero imediatamente

O Secretário Geral do CEEV, Ignacio Sánchez Recarte revisou suas anotações e corrige informando que o Champagne não terá alíquota zerada imediatamente, mas somente os espumantes com preço de exportação superior a 8 US$ o litro, ou 6 US$ a garrafa de 750 ml o que equivale a 5,32€ na cotação atual. O Champagne vai ter o mesmo tratamento do vinho tranquilo e sua alíquota de 27 % vai baixar linearmente ao longo de 8 anos. Uma pena já que o Champagne não concorre na mesma praia do espumante brasileiro e seu preço de exportação começa na casa dos 10€ para os mais simples. Santé.

Acordo Mercosul Uni√£o Europeia zera taxa do Champagne imediatamente

Com o passar dos dias vamos obtendo mais informações do acordo entre Europa e Mercosul. Para os amantes do bom vinho a boa notícia é que o imposto de importação do Champagne (27%) será zerado de imediato, assim que o Acordo entrar em vigor. Esta cláusula vale também para todos os espumantes que custem mais de 6 dólares (5,32€ no câmbio de hoje). Os espumantes de menor preço terão uma moratória de 12 anos e depois o imposto será zerado. Interessante, apesar do prazo um tanto longo, pois vai permitir aos espumantes brasileiros encontrarem seu espaço na base e no meio da pirâmide. Por outro lado a tarifa zero valoriza os vinhos espumantes notadamente os franceses Crémants e Champagnes que são mais qualitativos e produzidos com o método tradicional. Nesse rol entram também os Franciacorta e bons Proseccos italianos.
Para os vinhos tranquilos que hoje carregam 27% de imposto de importação o processo prevê uma redução linear durante 8 anos até serem zerados. Esta regra vale para garrafas e BIBs (Bag in Box). A queda de pouco mais de 3,3% por ano deve representar para o consumidor uma redução de 8% a 9% do preço na prateleira, caso não haja variação cambial.

Já na parte técnica, aquela que o consumidor não vê, os parâmetros de análise serão reduzidos de 12 para 4. Outros documentos também devem ser simplificados, mas ainda não foram divulgados oficialmente. Apuramos estas informações junto ao Secretário Geral do CEEV, Comitê Europeu de Vinhos e Espirituosos, Ignacio Sánchez Recarte. Esses percentuais e prazos foram obtidos por meio de anotações durante a reunião com a Comissão Europeia. A versão final somente deve estar disponível no final de julho, antes das férias de verão europeias. Tudo vai chegando à conta gotas. Neste final de semana haverá uma reunião da assembleia dos produtores europeus para que eles se posicionem sobre o Acordo, isto é, se gostaram ou não. Santé.

Preço do vinho europeu vai baixar com acordo Mercosul-União Europeia

Acordo entre Mercosul e União Europeia, vai zerar tarifa de importação dos vinhos europeus tranquilos em 8 anos e dos espumantes em 12, me confirmou o secretário geral do CEEV Ignácio Sánchez Recarte. Os últimos detalhes foram decididos no sábado somente. Provavelmente na segunda-feira teremos o texto final, afirma Recarte. Como os textos finais foram redigidos ontem todos tem dificuldade em dar detalhes sobre a redução do imposto de importação. O que podemos afirmar é que o preço do vinho vai baixar gradativamente e vai ser zerado em 8 anos para os tranquilos e 12 para os espumantes. Santé.

Viticultores europeus tem medo de perder oportunidade de acordo com Mercosul

No momento em que as negociações entre Mercosul e União Europeia por um acordo de livre comércio estão numa fase final de negociações os produtores europeus por meio do CEEV, Comitê Europeu das Empresas de Vinho, vêm a público defender o fim da tarifa de importação para os vinhos europeus. Conexão Francesa ouviu Ignacio Sánchez Recarte, o secretário geral do CEEV, que afirmou ainda não saber qual a escolha dos negociadores: cota ou fim da tarifa. O que os produtores defendem é o fim da tarifa de importação de 27% para que os vinhos europeus entrem no Mercosul. A retirada pode ser imediata ou num prazo que não seja longo. A Europa tem a experiência de dois casos. O do acordo com o Japão onde foi imediato e o caso do Vietnam de diminuição progressiva ao longo de 7 anos. Uma cota de 30 milhões de litros não nos atende já que hoje exportamos 37 milhões e devemos exportar 40 milhões este ano.

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O Secretário Geral do CEEV Ignacio Sánchez Recarte. (Foto: Divulgação CEEV)

Para Ignacio Recarte é importante entender que os produtores de vinhos não são multinacionais, eles são um amálgama de pequenos e médios produtores. Para eles as cotas são de difícil aplicação. Os vinhateiros não produzem commodities, cada vinho tem um preço diferente e se destina a um consumidor também diferente. No momento os sete negociadores estão prontos a enviar uma proposta ao comissário europeu da agricultura Phil Hogan. Além da tarifa outro ponto fundamental para os agricultores é a noção de Indicação Geográfica, IG, temos de proteger nossas marcas. Isto faz parte de uma visão global, se não forem aceitas neste acordo como poderemos exigir o mesmo em outras negociações? Tarifa e IG são as questões centrais para os produtores.

Já no aspecto das Barreiras Técnicas do Trade, TBT, me parece que teremos uma evolução bem positiva. Mas são os negociadores que trataram disto num anexo, mas não temos os detalhes. Para os negociadores está tudo certo e definido, mas do ponto de visto dos produtores nem sempre isso é o que gostaríamos. Agora a negociação é política. Esta negociação se arrasta há vinte anos. Temos medo de perder esta oportunidade, queremos o acordo, afirmou o secretário geral Ignacio Sánchez Recarte.

Neste momento as negociações políticas estão acontecendo em Bruxelas. Ontem um jantar de trabalho aconteceu entre os ministros europeus e os do Mercosul, dentre eles a ministra Tereza Cristina do Brasil. Em sua conta no Twiter @TerezaCrisMS a ministra se mostra confiante da qualidade dos produtos brasileiros exportados. O blog está torcendo por um good deal. Santé.

 

Acordo UE-Mercosul deve contemplar o vinho

Na medida em que se aproxima do fim das negociações do acordo comercial UE-Mercosul, as empresas de vinho da União Europeia reiteram a necessidade de um acordo sobre o acesso ao mercado e a proteção das indicações geográficas dos vinhos, disse hoje Ignacio Sánchez Recarte, secretário geral do CEEV, Comitê Europeu da Empresas do Vinho que representa as empresas produtoras e negociantes de vinho da Europa.

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Jean-Marie Barillère é presidente do CEEV e da União das Casas de Champagne, UMC. (Foto: foto divulgação/UMC)

Após vários anos de trabalho técnico e intensas discussões, o acordo comercial UE-Mercosul parece estar no caminho certo e se aproximando dos últimos estágios. As empresas de vinho da UE sempre foram a favor de um acordo ambicioso e reiteram os seus aspectos essenciais.

Em primeiro lugar, o acordo deve melhorar significativamente o acesso ao mercado, eliminando as tarifas aplicadas ao vinho, permitindo assim que os produtos da UE possam competir em igualdade de condições. “O vinho não pode perder esta oportunidade. Hoje, estamos competindo com países que não enfrentam as mesmas restrições que nós”, disse Ignacio Sánchez Recarte, Secretário Geral do Comitê Vinhos. "Poderíamos fazer muito melhor nos mercados do Mercosul, por isso o acordo deve garantir a eliminação das tarifas dos vinhos da UE dentro de um prazo razoável".

Uma segunda questão crucial para as empresas vitivinícolas da UE é a proteção das indicações geográficas (IG). O acordo deve ser assinado apenas se incluir medidas para uma proteção eficaz das IG do vinho. “Não é só o acordo com o Mercosul, as implicações para as nossas Indicações Geográficas vão muito além”, disse Jean-Marie Barillère, presidente do Comitê Vinhos. "Um fracasso da UE sobre este assunto seria particularmente prejudicial, tendo em vista outras negociações em curso e futuras," conclui Barillière.

Rosé com gelo é um ato bárbaro?

Na última sexta-feira, dia de São João e do solstício de verão no hemisfério norte, teve início oficialmente a estação mais quente do ano. Verão aqui quer dizer dias mais longos, muito sol, praia e rosé. O jornal Le Fígaro, líder entre os diários nacionais franceses, lançou na última terça, no seu caderno especial F, l'art de vivre (F' Arte de Viver), uma edição especial dedicada aos rosés.

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Capa da revista F' Art de Vivre do Le Fígaro. (Foto: Rogerio Rebouças)

A edição conta o esforço de Bordeaux em valorizar seus rosés que podem rivalizar com os da Provence, mas que encontram uma certa resistência do consumidor. Vai abrir grande espaço para os champagnes rosés e comentar vários rótulos. Tem uma muito boa entrevista com Guillaume Tari, proprietário do Domaine de La Begude na Provence e ex-presidente do AOC Bandol, ele critica o estilo de rosé muito pálido que virou uma marca registrada da Provence. " Sem cor, sem descoberta. Não é mais um rosé da Provence. É uma bebida politicamente correta, sem charme, sem nuanças, onde a cor, os aromas e o sabor não chamarão a atenção de ninguém. Os três são transparentes", afirma. Tari abre aqui uma polêmica e defende um estilo de Provence menos padronizado, com cores e sabor. Esse estilo exportação caiu nas graças do mercado americano que absorve 46% dos vinhos exportados pela Provence. A França produz 300. 200.000 litros de rosés por ano.

Numa página de opinião vamos ver o físico e professor universitário belga Fabrizio Bucella, convertido em sommelier, defender no seu artigo intitulado Dans ma piscine, literalmente Na minha piscina, o estilo de consumo bem francês de colocar gelo, bastante gelo, numa grande taça com vinho. Filosoficamente o professor pergunta: " -É um ato bárbaro? Os romanos na antiguidade tinham o hábito de colocar no vinho especiarias e adoçantes, colocar gelo no copo com certeza não os chocaria", ensina. "Vamos aproveitar a taça e parar de criar polêmica. Afinal, o que quer o povo?", conclui perguntando Bucella.

Sábias palavras já que o vinho francês mais vendido no Brasil, no último ano, foi o Rosé Piscine, aquele mesmo que pede para ser bebido com bastante gelo. Santé.

Um ch√Ęteau para chamar de seu

No último final de semana foi dia dos Pais aqui na França.Tive a grata surpresa de receber uma garrafa de Bordeaux Superior personalizada. O site mabouteille.fr oferece mais de 150 garrafas personalizáveis. Você pode encomendar mesmo com apenas 1 garrafinha. Personalizar o rótulo e mesmo a caixa de madeira está ao seu alcance. Além de vinho o site propõe champagne, cervejas, destilados, sucos e até água. Mabouteille, literalmente minha garrafa, fica dentro do Château Vray Canon Boyer na bordalesa Fronsac, pertinho de Saint Émilion. Assim os vinhos da casa são Bordeaux Superior ou Fronsac. Coisa fina. Mas diversas outras regiões são propostas.

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Com o brasão dos Almeidas criei um Château para chamar de meu. (Foto: Rogerio Rebouças)

As opções de individualização de rótulos e caixas são inúmeras. Você pode enviar sua foto e colocá-la no rótulo. Você pode criar um château para chamar de seu.Coloque seu sobrenome, o brasão da família ou uma imagem de castelo e você criou seu próprio château. No meu presente a caixa veio gravada em português, com um Feliz dia dos pais. Na etiqueta Best Dad of The World (o melhor pai do mundo). Como a personalização tem um custo alto, quanto mais garrafas compradas menor o custo unitário. Outra dica opte por vinhos de maior qualidade assim o custo de personalização fica diluído e menos perceptível.Com apenas 13€ (R$ 55) você consegue dar um presente de aniversário único.

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Garrafa personalizada do Dia dos Pais (Foto: Rogerio Rebouças)

Na hora da personalização você pode optar por modelos pré-selecionados ou subir uma imagem do seu arquivo. Escolher a cor de fundo da etiqueta, escrever um nome ou uma mensagem. Funciona muito bem para datas especiais ou presentes de empresas. O site é bastante flexível e oferece muitas possibilidades. A entrega não está inclusa e você pode optar no site por diversos serviços de entrega internacionais. Para envio ao Brasil cuidado com as dificuldades de importação para bebidas alcoólicas. Santé.

Challenge Sud France é oportunidade para os sommeliers brasileiros

Voltei do Brasil no último final de semana. Viajo regularmente ora para promover vinhos e regiões ora para dar cursos e aulas. Desta vez dei aulas no Rio e em São Paulo sobre os vinhos do Languedoc-Roussillon. Essa imensa região que responde por um terço da produção francesa produz 14,4 milhões de hectolitros, sendo 70% IGP, o vinho regional, 21% AOC e apenas 9% em vinho de mesa agora chamado sem IG (Indicação Geográfica). São 210 mil hectares de vinhedos (dados oficiais de 2017) bem mais do que o vinhedo de Argentina, Califórnia ou África do Sul e similar ao do Chile em tamanho. Até o início da década era o maior vinhedo do mundo. Hoje La Mancha na Espanha lidera. A política agrícola europeia tem incentivado a retirada de vinhas no sul da França.

As aulas foram para preparar os sommeliers brasileiros para o concurso internacional Challenge Sud France. A etapa Brasil acontece este ano em parceria com a ABS-Rio e ABS-Minas, associações parceiras e amigas do vinho. Mas também teremos provas em São Paulo como tivemos a aula no espaço da Importadora Decanter. Os sommeliers estão estudando e se preparando para esta primeira etapa e o vencedor vai encarar uma turma forte que vem de diversos continentes no ano que vem. O Challenge é o terceiro mais importante concurso da sommelerie francesa. Estarei junto com as duas ABSs fazendo o máximo para que o candidato vencedor chegue com condições de vencer. Acredito que está na hora do Brasil chegar numa final de uma prova internacional e assim valorizar o trabalho da ABS, fundada e presidida por Dânio Braga. Santé.