Heloisa Tolipan

Entre business e... Bia

A vista única da Baía de Guanabara que invadia a sala perfumada por orquídeas amarelas através de um grande janelão era tão admirada quanto a pequena Bia, neta da curadora do Senac Rio Fashion Business, Eloysa Simão. Avó coruja que só, fez questão de chamar a pequena, que usava sapatinhos vermelhos combinando com os da empresária, para posar para nossas lentes. “Ah, me manda para eu colocar no Facebook?”, nos pediu antes de sentar conosco para falar sobre esta semana de negócios da moda carioca. “A nossa maior preocupação na organização do evento é a difusão dos produtos dos expositores. O mais impactante aqui são os negócios e todo o glamour e o lifestyle da moda, vêm junto”, afirmou. De fato, o foco do evento é claro para qualquer visitante que passeie pelos amplos corredores montados na Marina da Glória que abrigam os 300 estandes de marcas de todo o Brasil. Gente de casa, tem sim, senhor, mas 60% dos expositores vêm de outros estados do país, como Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul. “Temos um grupo que faz a seleção das marcas que entrarão na feira. Para nós, o mais importante é que a grife tenha um tipo de diferencial e qualidade competitiva. Tem que ter condições de vender”, pontuou.  Uma das áreas que vem chamando a atenção pelos corredores de piso verde são as marcas que apostam no artesanato. “Infelizmente, os expositores deste nicho não possuem grande representação frente ao resto da feira, são aproximadamente 20 e nós temos 300 estands, mas acho que é uma área que merece atenção. A Cristina Franco fez um excelente trabalho de curadoria destas marcas, que, como todas as outras, deveriam ter uma qualidade competitiva como pré-requisito. Além disso, acreditamos muito na economia solidária e a Fecomercio trouxe o seu projeto de Núcleos Criativos de diversas regiões do Estado para cá. O programa organiza, treina e capacita diversos empresários do interior do Estado, mais uma vez, buscando qualidade para que eles possam competir de igual para igual com as outras empresas do mercado”. 

Hoje, as salas de desfile ficarão sem modelos em altíssimos saltos passeando sobre a passarela, mas o fórum de lojistas está a todo vapor. É no espaço, que está sempre lo-ta-do desde segunda-feira, que rolam diversas palestras ao longo do dia sobre pesquisa de tendências, estratégias de mercado e mídias sociais, assunto queridinho do momento. “Pudemos perceber que os lojistas adoram as palestras. Ainda não começamos a planejar a próxima edição, mas acho que os assuntos envolvendo a internet, comércio virtual, mídias digitais e marketing merecem atenção especial”, planejou. 

As portas das tendas da Marina se fecham hoje e, apesar de o balanço sobre a edição não ter sido finalizado, algumas coisas estão tão na cara, que Eloysa não se importou em nos antecipar. “Ainda não temos os números certos sobre essa edição, mas as nossas expectativas certamente já foram superadas. O mercado está melhor do que se esperava e é só andar pelos estandes para perceber que os expositores entenderam a proposta do evento. A organização e cenografia de todos demonstram que eles estão reconhecendo o serviço que prestamos”, finalizou, tão orgulhosa da “cria” quanto da pequena Bia. 

Mary Zayde e o art déco

Olha que foto linda de Mary Zayde com o cartão-postal do Rio como cia. Mas fomos conferir também o backstage da marca, que despertava a vontade de ouvir chorinho e jazz, dançando e balançando os vestidos midi drapeados pelos salões. É porque a década de 30 e seu movimento art déco foram a inspiração da estilista, que sempre foi encantada pela época. “Amo tanto esta fase que coleciono peças art déco, minha casa é repleta delas. Foi uma década de revolução na moda, na música, no comportamento e, acima de tudo, muito moderna”, derretia-se a estilista, que coleta peças que lembram este tempo bom, há 25 anos. 

“A cada dia é mais difícil encontrar peças que satisfaçam o meu desejo de colecionadora porque o tempo vai passando e elas ficam mais raras. Eu comecei procurando na feira da Praça 15 e, agora, cada vez que viajo, seja a Buenos Aires, Paris, Florença, trago alguma coisa. Não consigo escolher uma preferida, são todas especiais porque cada uma tem a sua história”. Assim como os vestidos leves, que atravessavam a passarela em tons de bege, terracota, coral, verde e cinzas acompanhados por sandálias anabela de cortiça (preta atenção nelas!). Para deixar tudo ainda mais com cara da época de ouro de Madeleine Vionnet, turbantinhos na cabeça. “Claro que sou apaixonada por ela, por Jeanne Lanvin  e Coco Chanel. Quem não é?”. Perguntinha difícil, hein Mary?

LIX

Se você estivesse meio tristinho na quarta-feira, ali pelos arredores da Marina da Glória, era só passar no backstage da LIX para voltar ao mundo achando que tudo eram flores. Muitas, muitas flores, borboletas “e uma oncinha pra dar uma quebrada”, contava Paulo Zyngier, vestindo a camiseta com o símbolo que resumia o clima da noite, “paz e amor”. Explosão de cores, estampas psicodélicas, tie dye, crochê, vestidos amplos e esvoaçantes, você ainda precisa que nós digamos que a inspiração foi a Era de Aquarius, ou melhor, os anos 70? “Eu era novo, mas curti cada segundo dos 70's. Como sempre fui grande, entrava em todas as boates, apesar de estar com uns 15 anos. Acho que até hoje a década é muito presente, não só na moda. Uma era que nunca morreu”, recordava Paulo, que fez questão de trazer a liberdade e a despreocupação com o que os outros vão pensar características da época para a passarela. E a alegria, claro. “Não consigo falar sobre coisas tristes. Claro que quando minha mãe morreu fiquei muito abalado, mas, dias depois, era meu aniversário e eu não podia deixar de fazer uma festa”. Tinha como sair de lá se sentindo mal?

Fila AA

Não só de passarela viveram as estrelas desses dias de Senac Rio Fashion Business. Na plateia, o glamour também teve a sua vez com olhos atentos de celebridades que, ao longo do ano, ditam nosso comportamento, tanto nos trajes que as modelam, como em educação e classe.  Palmas, muitas palmas para a apresentadora e mãezona Glória Maria que, em cima da hora para o desfile da grife Mary Zaide, chegou de fininho, sem alarde, e assistiu em pé ao desfile da amiga. Aliás, quem também não podia perder o desfile de Mary e sua nova coleção era o casal Bruno Chateaubriand e André Ramos que, no embalo dos anos 30, amaram a nova coleção de modelo art déco, como já mostramos na página anterior. Aliás, tem como não gostar? Regiane Alves que o diga...

Talento no DNA

Passeando pelos corredores do salão de negócios do Senac Rio Fashion Business reparamos em um rosto familiar, não na foto da campanha da marca, mas a postos do estande que tinha seu nome estampado na parede. Era Letícia Birkheuer em um amplo vestido off white assinado pela mesma, claro, e que deixava à mostra a linda barriga de cinco meses de gestação. Enquanto a irmã, Michele, vestia uma das blusas paetizadas da coleção de Verão que Letícia mostrava para uma cliente, demos uma passeada pelas araras leves, românticas e cheias de estampas florais abstratas em tons pasteis marcadas por off white, cinza, gelo e pontuadas por preto, o rei da noite. Já que dizem que a gravidez deixa toda mulher mais sensível, será que tanto romantismo é resultado dela? “Me inspirei sim nesse momento que estou vivendo e também nos românticos anos 30 e seus drapeados e rendas”, nos contava a estilista ao lado da modelo de sua marca. Já adivinharam? Sim, sua irmã Michele, além de ajudar nas vendas, é o rosto e o corpo estampados do Verão florido exposto nas paredes do estande. “Adoro esse clima familiar. E, em uma família cheia de mulheres, consigo ter uma pesquisa de mercado só mostrando as peças para a Michele e minha mãe. Se elas gostarem, sei que as clientes de todas as idades também gostarão”. Nós adoramos, Letícia. 

De frente com Bibi 

O teatro consagrou e, agora, o programa Palco e Plateia do Canal Brasil pediu passagem para mostrar nada mais, nada menos que a intimidade e os 70 aninhos de carreira da sempre menina dos olhos do nosso teatro, Bibi Ferreira. Por isso, sobre o palco com jeito de lar do Oi Futuro Ipanema,  o ator, diretor, crítico de cinema e sabe tu-do, José Wilker, assumiu, anteontem, o comando como entrevistador e não deixou passar um detalhe sequer sobre as homenagens que a artista prestou a ícones como Edith Piaf, Dolores Duran e Amália Rodrigues, e, claro,  sobre o álbum recém-lançado Brasileira, uma suíte amorosa, em que interpreta canções  acompanhada pelo  piano de Francis Hime. Tudo de bom, não é? E se você pensa que a série itinerante de Wilker se limite aos bambambãs à frente dos palcos para tratar das oposições entre tragédia e comédias, ledo engano. Os bastidores também têm a sua vez. Com roteiro de Jorge Espírito Santo, Palco e Plateia discute o teatro brasileiro, sua linguagem, métodos de encenação e processos de criação com diversos tipos de personalidade na área. Aliás, o que achou dos programas com Aderbal Freire-Filho, Charles Möeller, Chica Carelli e Marcio Meirelles? Então, já sabe, dia 20 de junho, segunda-feira, ligadinho do Canal Brasil, às 21 horas, para conferir tudo que rolou nesse bate-papo.