Crítica | Inversão | Barreira entre o espectador e o filme

É difícil ver Inversão. Uma barreira estética se impõe entre espectador e filme. O cineasta Edu Felistoque, em parceria com o diretor de fotografia Caco Souza, investiu numa estilização extrema, alternando preto-e-branco, tons esmaecidos e cores fortes numa overdose visual que suscita sensação de saturação em poucos minutos. 

Some-se a tudo isto uma câmera constantemente desestabilizada que registra, sem maiores justificativas, as imagens como uma sucessão de fragmentos. 

Os retalhos desconexos que compõem esse espetáculo de excessos não fazem muito sentido. Felistoque e o roteirista Maurício Fernandes evocam, de maneira algo confusa, o momento em que o crime organizado parou uma megalópole como São Paulo através do sequestro de um empresário e do processo de desestabilização atravessado por uma delegada, pressionada por todos os lados para desenrolar o caso com o máximo de agilidade. 

Apesar da tentativa frustrada de imprimir na tela um padrão visual “pouco convencional”, Edu Felistoque transita de modo comportado entre os dois planos de ação – o do sequestro, que dá errado, e o dos esforços, também frustrados, de solucioná-lo. Inversão representa ainda uma tentativa nada promissora de se filiar ao cinema de ação, vertente liderada, atualmente, por Tropa de elite. Diante de uma mistura tão insatisfatória, o elenco tem dificuldade de dar credibilidade às suas falas, mesmo aqueles que procuram se manter em plano mais discreto, como Alexandre Barillari e Rubens Caribé.