Heloisa Tolipan

As canções que Paul fez pra mim...

Como um clássico Fla-Flu, mas de uma torcida só, amante do espetáculo protagonizado pelo mais icônico dos lordes, Sir Paul McCartney, no Estádio Olímpico João Havelange. Famílias reunidas, rapazes com suas gravatas afrouxadas após o dia de trabalho, pré-adolescentes que sequer presenciaram os Beatles reunidos: coro uníssono em cada verso entoado pelo jovem senhor de 68 anos.

E, em cada lábio, um pedaço de vida proferido com melodia e identificação, como no caso de Luisa Borja, envolta pelo afeto familiar. “Tinha uma caixinha de música que tocava Hey, Jude. Mais tarde, embalei  meu irmão mais novo cantarolando no ouvido dele”. 

E, como Luisa, quem não tem guardada em si uma memória cuja trilha sonora é uma canção dos Beatles? Pensando nisso, perguntamos a um time de amigos da coluna: com qual música dos meninos de Liverpool você mais se identifica? As respostas você confere a seguir:

“Adoro Help. É uma das minhas trilhas sonoras de vida. Lembro bem da época em que não tinha o acesso de hoje às salas de exibição e tive de ir a um cinema do interior para assistir ao filme deles, justamente Help. Não poderia perder, assim como sempre pedi a meu pai os discos deles”. 

Giulia Gam, atriz

“Adoro todas as canções. Em especial, The ballad of John and Yoko. É a favorita do meu marido. Não dava tanta importância até então, mas , do jeito que ele me mostrou essa música, fiquei mais apaixonada ainda”. 

Thalita Rebouças, escritora

“Os Beatles como um todo são os meus heróis. Todas as suas canções são a Bíblia para quem quer fazer algo com pop. Como um bom padre tem de saber rezar a missa certinho, comigo não foi diferente”. 

Samuel Rosa, cantor

“Se tiver de destacar algo dos Beatles na minha vida, seria meus tempos de bailinhos, dançar de rosto colado, principalmente quando tocava My love. Foi minha canção favorita durante muito tempo” 

Ciro Gomes, deputado federal (PSB - CE)

“Acho que todo mundo tem um pouco de Beatles na história. Chega a ser dificil escolher uma específica. Mas, desde nova, sempre senti uma vibração muito boa com Yellow Submarine. Além de Hey, Jude, que adoro desde sempre”. 

Preta Gil, cantora

De todos os mares

“O mar de Dorival, Fernando Pessoa e Jorge Amado, das Ilhas de Pantelleria, Sardenha e Páscoa. A terra que do mar nasce e que faz se esparramar, brotar e com o mar novamente se encontrar, cujo limite - pelas mãos de Roberta – se mistura, sempre, em harmonia”. Amei esse começo do texto de apresentação de Da terra e do mar, tema da coleção 2011 do restaurante RS, da chef Roberta Sudbrack. Anteontem, Roberta brindou a todos que frequentam a sua casa – sim, o restô é dela e mais do que um QG de alta culinária... é a casa de Roberta. Essas duas realidades (mar e terra) dão vida aos sudbrackianismos. Da terra, destaque para milho, cogumelos, aspargos, beterraba, frutas, o cravo e a canela. Do mar, peixes, crustáceos e caviar. Todos os sentidos serão aguçados. Dá-lhe, Roberta!

Moda, negócios e... it-girls

As peças fresquinhas, saídas há pouco de seus respectivos ateliês (ou sendo finalizadas ali ao lado das araras mesmo) estavam meio tristes na tarde de segunda-feira. Tudo porque flashes e jornalistas só queriam saber das tais it-girls que invadiriam a fila A dos desfiles de Patrícia Viera e Carlos Miele, no Copacabana Palace, dando o start da edição Verão do Senac Fashion Business, pilotado por Eloysa Simão. Lideradas pela eterna inspiração de Patrícia, sua irmã e agora diretora criativa de sua marca, Andrea Dellal, a ítalo-brasileira Bianca Brandolini, a inglesa Poppy Delevigne e a moça da família Harley Viera-Newton, agitaram a tarde.

Em um minivestido de oncinha assinado pela tia Patrícia, Harley, que tomou gosto por aparecer nos desfiles da marca depois da estreia na temporada de Inverno, em janeiro, se espantava com a rapidez do nosso calendário de moda: nem mal começamos o Inverno oficialmente, já estamos vendo o que vem no Verão. Dessa vez, ela pôde acompanhar o processo de finalização da coleção, ainda na fábrica. “Eu fiquei encantada com tudo. As minhas peças favoritas são as com bolinhas, adoro estampas de pois”, revelou, sem largar da bolsa Mulberry ou do colar Tom Binns, queridinhos, não importa a estação. Assim como na ascendência da DJ Harley, Bianca tem sangue com sotaque português, com mãe brasileira e avó lusitana. O sotaque d'além-mar, “puxado” da Nanny, é motivo de brincadeira dos amigos cariocas, que a encontram nas areias de Ipanema e, por isso, prefere falar em inglês. “Tenho um apartamento em Ipanema, em frente à praia e só preciso atravessar a rua para chegar à areia. Venho aqui umas quatro vezes ao ano”, contou, entre uma ajeitada nos cabelos e outra. Na cadeira ao lado, Poppy Delavigne se dividia entre o papo com Bianca e uma checada nas atualizações do celular. A filha de Pandora Stevens, um dos grandes nomes por detrás da inglesa Selfridges, conheceu a nossa carioquice há seis anos quando, acreditem, fez um mochilão pela Cidade Maravilhosa, em albergues e trilhas por aí. “Vim em uma viagem com amigos e foi maravilhoso. Agora também está sendo muito bom, apesar de ser completamente diferente. Se antes fiquei em albergues, agora estou em grandes hoteis, sendo paparicada o tempo todo. É divertido”, disse ela, que trouxe o namorado, James Cook, e deve levar de volta para Londres vários biquínis assinados por Lenny Niemeyer.

A rainha do beachwear, aliás, chegou fugida da fábrica de suas peças, num bate-volta só para assistir aos desfiles no salão do Copa. “O meu desfile está logo aí. Trabalhamos umas 15 horas por dia para apresentar a grande homenagem ao Rio de Janeiro, que vai ser essa comemoração dos 20 anos de marca”, revelou a estilista, que assinava os maiôs em couro desfilados com as peças de Patrícia. “Foi uma delícia poder retribuir todo o trabalho que eu sempre dou a ela com as peças que crio em couro e peço para que desenvolva. No fim das contas, acho que ainda estou devendo”, brincou, sentada ao lado do amigo Michael Roberts, que esperava para conferir o resultado do seu trabalho com Carlos Miele na passarela. A linha de jeans do estilista veio cheia de bordados retirados de ilustrações do inglês, que, como bom apaixonado pelo nosso país, escolheu representar a exuberante natureza e fauna brasileiras. 

Assim como no Inverno mostrado em janeiro, Miele apostou em cores fortes como vermelho, pink, verde e vários tons de azul para colorir as maxi saias, vestidos e calças amplas, grande aposta do estilista. “Como não sou seguidor de tendências e, sim, lançador, gosto de perseverar nas cores, peças e modelagens que acredito, até que se tornem realidade. As cores fortes e calças amplas entram nesse nicho. Acho que vão ficar por várias temporadas ainda”, apostou, junto de sua bela Ana Gequelin, que aproveitou o desfile para lançar as peças de beachwear da sua marca, batizada AG.

Na passarela, a bela Daniella Sarahyba foi a responsável por abrir o desfile que nos levou para a Búzios dos anos 70, ao som de Brigitte Bardot cantando Tu veux ou tu veux pas, versão em francês para a clássica Nem vem que não tem, de Wilson Simonal. Apenas pouco mais de sete meses depois de dar à luz à pequena Gabriela, Daniella desfilou com sua habitual boa forma. “Tive de fechar a boca mesmo. Fiz ditox, dieta, ditudo (risos). Não sou do tipo que pode comer de tudo sem engordar, acho que sou normal também”, divertia-se, mas preocupada com a filha que estava acomodada em um quarto ali perto. “Eu dizia que antes era realizada, mas, na verdade, não chegava nem perto de realizada. Agora, que sou mãe, vejo isso de forma mais clara. Estou voltando a trabalhar aos poucos e a levarei onde puder. Nunca dormi longe da Gabriela, fico com o coração apertado. Não consigo nem imaginar”, derreteu-se.

Apesar de ter atravessado o Atlântico para encontrar sua inspiração, Patrícia Viera também deixou um perfume setentista no ar. Apostando na sensualidade natural da mulher espanhola, inovou, mais uma vez, nos tratamentos e formas que deu ao couro, sua marca registrada. “Acho que o meu maior desafio sempre é me manter trabalhando com o couro e, ainda assim, trazer novidades. Para isso, me alio às mais recentes tecnologias para tratar o material que, aliás, recebe tratamento diferente desde o abate do gado. Usamos o couro retirados dos animais específicos para corte, é um subproduto”, fez questão de ressaltar. O encanto pela Espanha tem um toque da irmã Andrea Dellal. “Sempre fui apaixonada pela cultura espanhola. Hoje, escolhi uma roupa mais básica, mas gosto de usar saias longas, amplas, argolas e mil pulseiras. Sempre tive um lado meio cigano”, contou Andrea, que não cansava de repetir o quão encantador era participar da produção da coleção na fábrica e ver como tudo acontecia. Quem quisesse saber se a dobradinha em família estava dando certo, era só reparar na empolgação com que as duas falavam sobre o trabalho. Para Patrícia, a troca de informações foi o ponto mais importante. “Apesar de ser muito controladora, adorei ter alguém do meu lado guiando o pensamento. Se eu pensasse em fugir um pouco, Andrea me alertava: ‘foco, Patrícia!’. E eu só me preocupava em executar todas aquelas ideias”, contou. O resultado foram muitas peças em couro rendado cortado a laser, calças boca-sino, franjas mil, longas saias com movimento digno de dançarinas de flamenco, jaquetas com ares de toureiro e capas de tela transparente com aplicações de rosas vermelhas em couro que causariam inveja em qualquer Zorro. Ele, aliás, deu um pulinho na passarela. “Eu precisava de um Zorro! Eu queria trazer o original, mas o Antonio Banderas só chegaria hoje (segunda) às 19h aqui no Rio. Então, aproveitei que sempre chamo um sobrinho para desfilar e trouxe o Sean Gabriel, filho do Cacá de Souza e da Charlene Shorto, para ser o Zorro gato para as meninas”, brincou. Certeza de que todas as it-girls que o viram fechando o desfile aprovaram, Patrícia.