Humberto Viana Guimarães: Saneamento: Espírito Santo dá o exemplo

O Brasil gasta anualmente R$ 300 milhões com o tratamento de doenças ligadas à falta de higiene. Na última década, cerca de 700 mil internações hospitalares ao ano foram causadas por doenças relacionadas à falta ou inadequação de saneamento. No entanto, é sabido que para cada R$ 1 investido em saneamento há uma economia de R$ 4 com gastos na saúde pública (tratabrasil.org.br).

Nesse sentido, o Espírito Santo através da Secretaria de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb) e da Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) dá um bom exemplo, através do “Projeto Águas Limpas”, maior programa de saneamento do Estado, e está aplicando R$ 1,3 bilhão na ampliação de abastecimento de água e nos serviços de coleta e tratamento de esgoto.

Esse Projeto fará com que em 2011, o Espírito Santo tenha 60% de cobertura no serviço de coleta e tratamento de esgoto, colocando o Estado com o dobro da média do país. Vitória será a primeira capital brasileira a ter 100% de cobertura desses serviços (cesan.com.br), sendo que, para alcançar esse objetivo, o Governo estadual está investindo R$ 243,7 milhões (valor histórico do contrato), com 60% dos recursos oriundos do Bird e 40% de contrapartida do Estado, sendo que a execução da obra está a cargo da Odebrecht Infraestrutura (pertencente ao grupo Odebrecht.

Os desafios para a construção das redes e elevatórias foram enormes. Primeiro, a densidade populacional. Somadas as populações das principais cidades que compõem a “Grande Vitória”, (onde se incluem Vila Velha, 414 mil habitantes; Serra, 409 mil; Cariacica, 349 mil; Guarapari, 105 mil; e Viana, 65 mil), temos 1,342 milhão de habitantes que trafegam pelas BR-101 e 262 e pelas rodovias estaduais e que circulam pela capital com 326 mil habitantes (IBGE, censo 2010). Por aí podemos ver a enorme dificuldade para a execução das redes, visto o intenso tráfego nas ruas e avenidas, cruciais para o dia-a-dia da capital (basta observar o trânsito das 2ª e 3ª pontes).

Segundo, o tipo de material a ser escavado, majoritariamente instável, com o agravante do afloramento do lençol freático (o que exigiu equipamentos para rebaixamento do mesmo), típico de cidades costeiras. Imaginem o que é executar, nessas condições, uma rede com 5 metros de profundidade – com escoramento contínuo – numa avenida movimentada! Somam-se ainda, as 12 novas Estações Elevatórias; a maior tem 9 metros de diâmetro e 10 metros de profundidade.

As redes coletoras e de recalque somam 184 km, com diâmetro de até 800 mm e diversos tipos de materiais (aço, ferro fundido, PVC e fibra). No sentido de abranger 100% de coleta do esgoto, foram incluídas 21 mil ligações domiciliares.

Para atender o enorme volume de esgoto coletado, foi executada uma nova Estação de Tratamento de Esgoto – ETE, com 4.400 m² de área construída (a existente tem 2.600 m²) e que tem capacidade para tratar 0,36 metros cúbicos por segundo (m³/s, média). Somados aos 0,21 m³/s (média) da antiga Elevatória, o Sistema Sanitário de Mulembá terá uma capacidade de tratamento de esgoto de 0,57 m³/s, o equivalente a 49,25 milhões de litros por dia! Após o tratamento, a parte líquida será conduzida através de um emissário que terá 1.100 metros no trecho terrestre e 710 metros no trecho submarino (diâmetros de 700 mm e 800 mm), e o lodo (tratado) será direcionado para aterro sanitário licenciado.

A preocupação com a qualidade da obra que exigiu por parte da Odebrecht a mobilização de pessoal qualificado, planejamento e equipamentos, também objetivou a minimização dos problemas para a população (normais para obras dessa magnitude), sempre com a pronta participação da Cesan. Essa soma de sinergias, teve a sua recompensa, pois, no fim de 2010, o Projeto Águas Limpas conquistou o Prêmio Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), na categoria Saneamento, do Ministério das Cidades. Parabéns para o Espírito Santo e aos integrantes do projeto.

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