Editorial: O governo estadual e os bombeiros em greve

É muito estranha a inação do governo estadual diante da greve dos bombeiros e salva-vidas do Rio. Há vários dias eles vêm fazendo manifestações na cidade e um grupo está acampado na porta da Assembleia Legislativa. Não pedem muito: piso salarial de R$ 2 mil líquidos, protetor solar para evitar o câncer de pele e óculos escuros para passar o dia na praia tomando conta dos banhistas.

No entanto, nem o comando da corporação e nem o governador Sérgio Cabral se manifestaram, ignorando o protesto de uma categoria fundamental. Trata-se de um desrespeito não só pelos bombeiros como pela população que deles depende em casos de incêndio, dificuldades em florestas, afogamentos, acidentes domésticos etc.

Mas foi justamente o fato de o serviço prestado pelos bombeiros à população ser essencial que enfraqueceu o movimento na última quarta-feira. Quando era realizada uma manifestação no Centro do Rio, as praias cariocas foram privadas de um grande número de salva-vidas, e justamente num dia em que o mar estava de péssimo humor, numa ressaca digna de campeonato mundial de surfe.

É bom lembrar também que, dias antes, quatro pessoas haviam morrido em diferentes pontos da orla por causa da virulência das ondas. As lideranças dos bombeiros, portanto, cometeram um grande erro de estratégia, dando aos que se opõem ao movimento argumentos fortes para desqualificá-lo.

Ficam então duas lições: a greve tem que manter os serviços essenciais e o governo deve negociar com os grevistas.