Crítica | Os agentes do destino | Caldeirão do Dick

A afirmativa de que o destino está traçado já foi dita de várias maneiras, com os mais variados sentidos e motivada por crenças de todas as espécies. Baseada no conto de Philip K. Dick, autor da história que deu origem ao cultuado Blade runner – O caçador de androides, esta nova produção é estranha pacas. Para entender melhor esta afirmação de agora, imagine uma história que misture no mesmo caldeirão um pouco de religião católica, romance, misticismo e acrescente ainda pitadas de suspense e ficção científica. Esta é a trama em que o promissor político David (Matt Damon) se enrosca, quando perde a eleição para Senador, mas conhece de maneira inusitada a bailarina Elise (Emily Blunt) e se encanta por ela, criando uma situação que poderá mudar para sempre a vida de ambos. Isso porque homens vestindo terno, gravata e envergando um clássico chapéu com poderes especiais, surgem do nada e, misteriosamente, querem impedir um novo encontro entre eles porque a tal mudança pode ser para pior. Dividido entre a surpresa do amor e a certeza de um futuro brilhante, David começa uma corrida contra o tempo sem saber qual será a sua escolha.

Escrito e  produzido por George Nolfi (escreveu Doze homens e outro segredo e O ultimato Bourne), que estreia na direção, o longa se perde no meio de tanto blá-blá-blá para explicar o inexplicável, acelera em algumas partes e perde ritmo em outras. Embora auxiliado pela excelente trilha do premiado Thomas Newman (Wall-e e Beleza americana), o longa é morno, tem algumas sacadas legais, efeitos especiais interessantes, mas é muito pretensioso, principalmente, nos diálogos com um papo furado sobre reinicializar cérebros ou recalibrá-los. Algo que pode ter funcionado bem no conto original, mas jogado no colo do espectador de qualquer maneira deixou a nítida sensação de que faltou alguma coisa. Ou melhor, algumas coisas. 

Existem até algumas sequências boas, mas bobagens desconexas, como incríveis poderes sensíveis (?!) a água, acabam pesando mais na balança. Sem contar que ficou nítido o desperdício de dois atores com boa química em cena, deixando a bela Blunt, mais uma vez, à espera de ser descoberta.  O resultado final é um filme apenas regular, que diferentemente de seu protagonista, não tem opção sobre o futuro porque quem o define é você. Chova ou faça sol.