Crítica | O noivo da minha melhor amiga | Mais do que uma Sessão da tarde

 

Comédia romântica é um gênero em franca expansão. Os americanos exploram à vontade, a França se aventura e o Brasil vai pelo mesmo caminho. No entanto, comédias dramáticas ainda inspiram cuidados e, muitas vezes, acabam misturadas nesse bolo, saindo prejudicadas pela maneira como são “vendidas”. O noivo de minha melhor amiga tem um viés de drama incontestável, mas a moda faz com que o empurrem goela abaixo como algo engraçado. E não é. Contudo, será fácil o espectador se identificar com a personagem principal, que fará muita gente pensar ou repensar a vida. Adaptação do best-seller Something borrowed, de Emily Giffin, comprado e produzido pela atriz Hilary Swank (Menina de ouro), a história gira em torno de Rachel (Ginnifer Goodwin), advogada que faz o tipo toda certinha desde os tempos da faculdade, época em que conheceu Dex (Colin Egglesfield). Hoje, ela faz 30 anos e o dois acabam transando depois da festa, mas só tem um detalhe: ele está noivo de Darcy (Kate Hudson), amiga dela de longa data. E agora? 

Partindo desta premissa com carga moral de sobra para sofrer preconceitos, o roteiro faz com que ela (e você) caia na real através de flashbacks pontuais, mostrando escolhas erradas da protagonista, principalmente, por não fazer o que queria e sim o que os outros queriam. E o fato de ser uma balzaquiana só aumenta a conexão com o público feminino. “Trinta é jovem, mas nem tanto. Desperdicei os 20!”, dirá ela. Mas a história funciona também com os homens porque o tema é universal e a idade chega para todos. 

Escorado no elenco desconhecido, com exceção da famosa filha de Goldie Hawn, o destaque vai para Ginnifer Goodwin (vista no ótimo Ele não está tão a fim de você) e Egglesfield, que, egresso da nova versão do seriado 90210 (Barrados no baile), convence e “fala” muito através do olhar. Kate  Hudson, aliás, está bem como uma amiga detestável por ser egoísta e rasa ao extremo. Da série “coisas que poderiam ser cortadas”, a dancinha das duas ao som de Push it (Salt-N-Pepa) sai na frente. E, mexendo ou cortando os bobos ataques de ciúmes, a trama ficaria mais enxuta e funcional. A trilha sonora colabora e muito com músicas de Natasha Bedingfield, Radiohead e umas ótimas “violadas” de Tyrone Wells e Peter Bradley Adams, além de um cover do hit Round here, do Counting Crows. Como curiosidade, uma cabível homenagem ao clássico traíra Atração fatal. Assim, costurando relacionamentos entre amigos, temperados com desejos secretos, confissões, amores velados e pequenas doses de humor, o filme dirigido por Kuke Greenfield (Show de vizinha) é simpático e mais do que uma simples “sessão da tarde”.  E aí? Pensando um pouco em você ou só anda fazendo o que os outros querem?