Editorial: A campanha suja contra a ministra da Cultura

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, está sob intenso bombardeio. O fogo vem de parte da classe artística, de alguns intelectuais e de setores do PT ligados a seu antecessor, Juca Ferreira. Reverberando o choro dos descontentes, aqueles setores da mídia historicamente contrários ao Partido dos Trabalhadores.

As críticas são vagas. Uma delas é o congelamento das verbas para a cultura, como se isso fosse decidido pela ministra e não pela presidente da República. Reclamam também da gestão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) sem explicar exatamente qual seria o problema. E dizem que a arrecadação de direitos autorais no Brasil é uma vergonha, fato conhecido desde 1500, quando Pedro Álvares Cabral aqui chegou.

Houve também a questão das diárias de hospedagem recebidas pela ministra quando em estada no Rio, onde possui residência. Ela devolveu o dinheiro, mas queriam que ela devolvesse também o cargo.

Resumindo, os críticos afirmam que Ana de Hollanda desfez tudo que Juca Ferreira fez durante o governo Lula. Ora, se as realizações de Ferreira em quatro anos podem ser jogadas por terra em menos de cinco meses, ele fez muito pouco.

Essa campanha está com cheiro de politicagem. Muita gente no meio artístico vive às custas de verbas governamentais e empresas de mídia que dispõem de jornal e canais de TV têm especial interesse em manipular o titular da pasta da Cultura. A presidente Dilma Rousseff até agora não entrou na marola. Espera-se que não entre.