Celso Franco: Trânsito em foco: Cantarolando ‘Volver’

Dentre os meus passatempos, desde a minha juventude, está o ouvir música, qualquer que ela seja, excluindo o rock pauleira. Esse hobby me deu algum conhecimento na área e permitiu-me possuir hoje uma boa discoteca variada. Pois, graças a isso, nesta semana em que pouca ou nenhuma notícia sobre o trânsito mereceu ser comentada,  recorri  não a meus livros, como faço de maneira contumaz, mas aos meus CDs. E o fiz na área do tango, música que muito admiro, tendo o privilégio de haver conhecido, pessoalmente, Astor Piazzola, que costumava dizer que “O seu tipo de tango  era mais apreciado no Brasil do que no seu pais”.

Por causa da dificuldade constante dos habitantes do Jardim Oceânico, aqui na Barra, onde resido, em fazer os atuais, face as obras do Linha 4, dois retornos possíveis para volver ao Recreio ou, melhor, retornar àquele Bairro, à Linha Amarela, aos Shoppings da Avenida das Américas e para a Tijuca, lembrei-me de fazer essa comparação. Ela é originária do aconselhamento japonês para se aliviar a tensão quando se estiver preso no trânsito: “Cantarolar em voz baixa”. Como ficamos constantemente engarrafados ao tentarmos retornar, a qualquer hora dos dias úteis, nada melhor do que cantarolar o tango de Gardel e Le Pera: Volver e que foi, recentemente, tornado fartamente conhecido como título e trilha sonora do filme espanhol de Almodóvar.

O que está acontecendo com os sofridos moradores da Barra, atualmente vítimas do pior tráfego de entrada e de saída dentre os demais bairros do Rio, contraria o aconselhamento do grande diretor de Trânsito Menezes Cortes, e que eu seguia à risca: “Não posso evitar os engarrafamentos fortuitos mas, tenho o dever de eliminar aqueles constantes”.

Pois bem, são tantas falhas do cumprimento desse dever, dos responsáveis pela nossa mobilidade urbana, na sua  insistência em não ver o óbvio do que está ocorrendo que,como diz a Biblia, “clama aos céus e pede justiça”.

A atual situação de emergência está a exigir a aplicação de medidas básicas das leis de circulação dos fluidos, aplicada aos fluxos de tráfego, a fim de pelo menos, demonstrar aos usuários do sistema viário que existe um setor da administração municipal tentado resolver esse imbróglio.

O que se espera dos responsáveis, na atual situação, é uma ação efetiva na rua, no local ou observando de helicóptero, e não sentados à frente das simulações nas telas de seus computadores. A reação ou o comportamento do motorista, que é quem faz o trânsito, a simulação não sabe , não vê e, por conseguinte, não mostra.