B Ideias & Livros: O erostismo em Picasso

Pablo Picasso aprendeu e ensinou ao mundo como celebrar a vida através da arte e das mulheres. Recentemente, o Museu de Belas Artes de Berna, em Barcelona, expôs cerca de 100 obras confeccionadas pelo pintor espanhol, todas voltadas para a temática do erotismo, produzidas entre 1905 e 1971. A exposição foi intitulada O poder de Eros, e as gravuras fazem parte da coleção do magnata das indústrias têxteis de Zurique, o milionário George Bloch, falecido em 1984.

O bom gosto de Bloch, que posteriormente tornou-se amigo íntimo do espanhol, chegou a juntar cerca de 2 mil obras de Picasso, entre xilogravuras, linografias, aquarelas, litografias, pontas-secas e gravuras e adquiridas a partir de 1920. Sua coleção deu origem a um vasto catálogo, organizado em quatro volumes e, posteriormente, desmembrada em três partes, que será distribuída entre museus suíços.

A paixão de Pablo Picasso pelas mulheres o inspirou a pintar quadros que exploravam o desejo e a sexualidade, abordados de maneira sensual, crua e grotesca em suas obras-primas. Na exposição, consta, ainda, uma lista com as principais mulheres presentes na vida do pintor, como Jacquelinie Roque, Fernande Olivier, Françoise Gilot e Dora Maar. Nas gravuras expostas, Picasso mistura humor e sexo. Em um outro período, passou a representar a mitologia greco-romana, com cenas de orgias e referências ao Minotauro.

Picasso conseguiu unir o seu inestimável dom artístico à nudez, tratando a libido, a luxúria, o voyeurismo, o ser humano e suas expressões corporais como verdadeiras obras de arte. São gravuras que despertam a imaginação e conquistam a admiração dos bons observadores. 

Obras espetaculares que vão muito além da nudez e expressam a qualidade artística do artista Pablo Picasso. Uma arte que, além de seduzir e convencer, revela, diretamente, o homem no seu estado mais íntimo, sem temer a vulgarização ou rótulos moralistas. Comprovando, portanto, o que dizia o próprio Picasso: “A arte nunca é casta”. 

Advogado e escritor