Crítica | Como arrasar um coração | Receita ruim

Comédias românticas, especialmente vindas dos americanos, satisfazem àquela mesma parcela de sempre da população: casais que enfrentam os multiplex de shopping nos domingos chuvosos. Quase sempre são filmes ruins que, com uma boa sequência de piadas e momentos fofos, deixam seu público satisfeito, achando a vida linda e cheia de cor e de amor. Mas são ruins. Agora, imagine o espectador, uma comédia romântica francesa. 

Pois bem, em tese, tudo o que as comédias românticas americanas têm de ruim, as francesas amplificam. Como arrasar um coração o faz de maneira quase única. Ilógica, inconsistente (até para padrões americanos), mal e porcamente escrita e dirigida, esta comédia é perda de tempo. Ponto. 

As coisas começam mal logo na premissa. Não que o espectador deva se preocupar com essas coisas, mas nem as pedras do calçadão da Avenida Atlântica acreditariam num filme sobre um sujeito cujo negócio é livrar mulheres de relacionamentos fracassados, fazendo com que elas se apaixonem por ele! Apresentando-se como o homem dos sonhos, o sujeito encoraja as moças a deixarem seus namorados e se aventurarem. Quem acreditava que um filme pudesse ter uma premissa tão idiota merece vê-lo, mais de uma vez, com legendas em sueco.

No papel do galã dedetizador de namorados ruins está Romain Duris. No papel da mulher que vai arruinar seus negócios (e seu coração, argh!) está a Sra. Johnny Depp, Vanessa Paradis (muito melhor cantando). Ela é bonita, rica, noiva de um milionário filantropo e gente fina, e não sente, nem por um instante, o menor interesse no personagem de Duris. Muito criativo, não acham?

É curioso que um país conhecido pelos dramas românticos densos (os melhores, diga-se) se enrole nas próprias pernas na hora de comercializar o amor no cinema, com uma comédia romântica decente (acreditem, ela existe). É tentador escrever linhas atrás de linhas, tentando encontrar uma explicação cultural do povo francês. Mas não tem nada a ver com isso. Tem mais a ver com roteiros ruins, enquadrados num sistema de produção.