Heloisa Tolipan

Encontros, despedidas e sucesso de audiência

A versatilidade jornalística sempre foi ponto reconhecido da personalidade de Astrid Fontenelle. De debates acalorados no Barraco MTV ao saudoso Happy Hour, do GNT, passando pelo vespertino Melhor da Tarde, da Band. A loura joga ‘nas onze’, como os verdadeiros craques, aliás, devem jogar. E, nesta nova fase do canal a cabo da Globosat, a apresentadora conseguiu transformar o pueril ir e vir de um aeroporto em fonte prolífica de histórias emocionantes e inesquecíveis, com o programa Chegadas e partidas, produzido pela Cinevideo, já sucesso de audiência e xodó da mãe do pequenino Gabriel. Astrid bateu um papo gostoso e, como não poderia deixar de ser, bem franco, à la Fontenelle. Confira:

Primeiro de tudo: sente saudade do Happy hour? 

– Sinto sim, principalmente quando acontecem alguns episódios que geram discussões, como as declarações do deputado Jair Bolsonaro ou a tragédia da escola em Realengo.

Sobre o Chegadas e partidas: como surgiu a ideia do programaproduzido pela Cinevideo? O formato já faz bastante sucesso no exterior, não é?

– O formato é holandês, existe em 14 países, mas já comecei a receber emails e tweets de brasileiros que veem o programa na Espanha, por exemplo, dizendo que nossa versão é mais emocionante. Esse projeto estava na mesa da diretora) Leticia Muhana há tempos, acho que esperando por mim (risos). Tenho certeza!

Em relação às pautas: como elas surgem? Você chega ao aeroporto à caça de boas histórias?

– Não existe pré-producão. É puro exercício de olhar e sentir que ali, naquele momento, temos uma boa história prestes a acontecer...

Qual a  diferença entre fazer um programa em estúdio e um fora dele?

– Muitas!!! Primeiramente, não tenho o conforto  de um estúdio. E ficamos horas  à espera das boas histórias, mas, em contrapartida, não tenho mais a pressa que um programa ao vivo exige. Tenho mais tempo para ouvir tranquilamente as pessoas! 

Como está sendo a experiência de ter residência em Salvador e em São Paulo? Você já levou o Gabriel para algum dia de gravação?

– Passamos apenas os quatro meses de Verão em Salvador. Nas primeiras gravações viemos de lá, mas agora já estamos em São Paulo. Mas Gabriel ainda não foi ao trabalho da mamãe (risos)!

Qual a história mais marcante que você já acompanhou, até agora?

 – Já tenho duas preferidas: a história da menininha que não via o pai há 20 anos e uma mulher que estava embarcando para o enterro da mãe na Bahia. Essas me emocionaram muito, porque eu sabia o que elas estavam sentindo. Conheci meu pai quando eu tinha 15 anos e já passei pelo doloroso momento da morte da minha mãe.

Qual sua relação pessoal com viagens? Adora viajar? A família curte viajar junto?

 – Adoro viajar, viajo menos do que gostaria, mas estamos indo, na Semana Santa, para Paris. Mal posso esperar. Pena que ninguém irá nos levar ao aeroporto (risos)!

Quem são os seus ídolos do passado que a inspiraram a seguir a carreira de jornalista?

– Hoje minha inspiração vem do meu filho. Quero fazer mais e melhor pra ele crescer vendo a mãe trabalhando e se orgulhar disso.

Qual a chancela que Astrid terá orgulho de dizer que imprimiu no mundo da TV?

 – Autenticidade e verdade. As pessoas já me reconhecem assim.

No cotidiano de trabalho, você percebe alguma diferença de comportamento entre homens e mulheres diante das mesmas situações?

 – Nos aeroportos todo mundo baixa a guarda e não há diferenças!

Você é engajada em causas sociais? Ajuda a alguma obra social ou movimento?

– Me preocupo com o ser humano e faço o que posso. Mas também não gosto de transformar isso em marketing. Mas uma coisa simples que todos podem fazer, e que eu faço, é uma corrente de doações. Passo adiante muitas roupas do Gabriel e também repasso para amigas e recebo repasses...é a nossa mini-corrente do bem!

Qual o maior prazer na vida particular de Astrid? Frequenta cinema, teatro, gosta de moda?

– Hoje em dia, meu maior prazer é brincar com o Gabriel! Sou louca para chegar o final de semana e nos jogarmos à vontade!!!

Qual o livro, hoje, em sua mesa de cabeceira?

– Confissão: depois da chegada do Gabriel tenho pouco tempo para mim, e o que eu mais lamento é o raro tempo para a leitura. Na cabeceira tem uma pilha que não anda, desde o final do ano passado: as biografias do Lobão, do Andre Agassi e do José Alencar. Uma pena!

E em quais momentos deu vontade de desistir de tudo?

 – Nunca!!!

O mundo resolveu olhar para o Brasil, mas, será que ainda nos vê apenas como o país do samba e do Carnaval?

– O mundo nos vê assim, porque nós gostamos e nos orgulhamos disso, né? Não há problema algum.

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Lady Gaga: a enviada de McQueen 

Por mais excêntricas que as montações de Lady Gaga sejam, ninguém pode negar que seus figurinos são marcantes. Na capa e recheio da edição de maio da Harper's Bazaar, Gaga confirma a faceta de ícone fashion ao encarnar uma diva da alta-costura sob as lentes de Terry Richardson. Nas araras da sessão de fotos? Peças preciosas Dior Haute Couture, Alexander McQueen, Versace, Thierry Mugler, claro, entre outros. E você já reparou na nova mania de Gaga, as próteses que ela usa nas maçãs do rosto e ombros, desde que começou a divulgar o álbum (ainda não lançado) Born this way? Ao ser perguntada pelo repórter como é o processo para aplicar as próteses, a resposta mais inesperada possível. “Antes de tudo, não são próteses. São meus ossos. Eles sempre estiveram dentro de mim, mas eu fiquei esperando o momento certo de revelar para o universo quem eu realmente sou. Eles aparecem quando eu estou inspirada”. Hãn? Apesar de não termosentendido essa, achamos linda a relação que Gaga ainda tem com o grande Alexander McQueen, por mais estranha que ela possa parecer. Depois do suicídio do ídolo, ela disse parecer que McQueen começou a trabalhar através dela. “Acho que ele planejou isso tudo. Logo depois de sua morte, escrevi Born this way. Acho que ele está lá em cima, no céu, com cordas nas mãos controlando suas marionetes”. Tudo isso ainda foi reforçado pelo pedido feito à ela: a marca Alexander McQueen pediu para que a data de lançamento da música fosse transferida para o dia exato em que o estilista morreu. “Quando eu fiquei sabendo disso, na hora soube que ele planejou tudo. Eu nem escrevi a música. Ele escreveu!”, completou. Aliás, sabe a razão de todo o surrealismo futurista no clipe de Born this way que a gente conferiu? “Muita maconha”. Ops, Gaga. Mas sendo o ícone pop que é, será que ela não está preocupada em atingir um nível de saturação na mídia? Que nada. “Pode escrever aí: As pessoas te amam quando acham que você não vai estar ali por muito tempo, e te odeiam quando não conseguem se livrar de você. Mas eu não vou a lugar nenhum”. Assim esperamos.

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Diário de bordo: Lollapalooza Chile

Não poderíamos deixar passar em branco, aqui na coluna, o registro de nosso amigo Antonio Jotta, que curtiu, in loco, a primeira edição off-EUA do Festival Lollapalooza, que rolou no início do mês, em Santiago, Chile.

Por lá, passaram nomes como Kanye West, Empire of the Sun, Cat Power, The National e The Killers. Porém, o que mais marcou a experiência de Jotta não foi bemo line-up. “A forma de dispersão foi bem singular: a cavalaria chegou, policiais marchavam e se alinhavam como se fossem atacar em plena guerra”, conta Antonio, referindo-se ao tumulto provocado pela entrada de público em maior número do que a tenda principal comportava, no segundo dia de festival. E, além da confusão, adicione aí problemas com a retirada dos ingressos na entrada.

“Lembro de ter ficado, pelo menos, três horas na fila à espera da troca dos ingressos, porque nos guichês havia apenas sete pessoas para comandar o processo!”, acrescenta Jotta, que, apesar de ter aproveitado os shows, não vai esquecer do caos instalado em determinados momentos e outros sons, além dos acordes das bandas presentes: “Lá fora ouvíamos as pessoas gritando, correndo, tentando protestar e os cavalos e cães da polícia tentando conter uma possível revolta”.