Editorial: Quanto vai custar ao Brasil o atraso nas obras da Copa?

As críticas feitas pelo  secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, sobre o atraso nas obras de infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014 desagradaram aos brasileiros, mas foram um excelente sinal de alerta para nossas autoridades. Dos aeroportos à reforma dos estádios – alguns serão literalmente reconstruídos – tudo parece caminhar lentamente.

Não podemos ter dúvidas de que o Brasil vai honrar seus compromissos, afinal seria a suprema vergonha ser escolhido para sediar a maior competição futebolística do planeta e não conseguir arrumar a casa a tempo. A pergunta é: a que custos vamos cumprir todos os compromissos assumidos?

Já pipocam, aqui e ali, informações de que alguns contratos e licitações podem ter suas normas relaxadas em nome da celeridade das obras. Fica aberto assim o caminho para fraudes e afins. Sabe-se há muito tempo que a pressa é inimiga da probidade quando se trata de contratos de empresas privadas com o poder público.

A questão dos aeroportos é tão desanimadora quanto a dos estádios. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) adverte que nove das 13 cidades que sediarão jogos não conseguirão aprontar seus terminais a tempo. Isso sem falar de Natal, pois na capital do Rio Grande do Norte o aeroporto ainda precisa ser construído.

Como se vê, a Seleção do técnico Mano não deve ser a única preocupação dos brasileiros para a Copa. Devemos nos perguntar, diariamente, se a Copa será mesmo aqui, ou se protagonizaremos o maior vexame da história dos mundiais.