Crítica | Amor? | Ficção ou documentário?

Vencedor de melhor filme pelo júri popular do último Festival de Brasília, Amor?, de João Jardim, tem uma forma difícil de se definir. Pode-se arriscar a pensar num docudrama, pois a ideia é de contar, a partir de uma série de entrevistas e pesquisas, oito histórias verídicas que tem como tema o amor, principalmente de forma violenta em todas as sua possibilidades. 

O diretor João Jardim (de Janela da alma, Pro dia nascer feliz e Lixo extraordinário) tenta ser original na ideia de colocar atores profissionais para contar esses dramas reais. Com um grupo de atores tarimbados, algumas histórias ganham cores e vida própria como as interpretadas por Lilia Cabral, Fabíula Nascimento, Eduardo Moscovis e Mariana Lima; outras não tanto, como as de Letícia Collin, Claudio Jaborandy e  Ângelo Antônio. Julia Lemmertz apesar de toda sua tarimba, abusa de alguns truques televisivos e torna sua personagem previsível a mais fraca de todas as histórias. Com câmeras praticamente fixas e em closes, o filme mantém um ritmo que não se permite muitas viradas, tornado de certo modo longo e monocórdio. 

Os depoimentos, de tão bem escritos, não conseguem passar nem sempre a ideia de relatos reais. Além disso, a interpretação excessivamente naturalista dá ainda mais essa sensação. A monotonia visual é quebrada vez por outra por momentos em que os atores estão nadando, tomando banho... quase sempre também em closes. Apesar da opção clara do diretor, falta um pouco de visceralidade para se acreditar de fato na existência real desses personagens.