Editorial: O acesso a armas é muito fácil nas cidades brasileiras

Fato inédito na história do Rio de Janeiro, a chacina cometida na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo (Zona Oeste), traz ao Brasil mais uma modalidade de crime hediondo, infelizmente frequente em outros países, notadamente os Estados Unidos. Quando Wellington Menezes de Oliveira descarregou suas armas na direção dos alunos, matando pelo menos 11 e ferindo 13, não houve quem não se lembrasse dos atiradores que levaram a desgraça a escolas e faculdades americanas nas últimas décadas.

Segundo relatos de pessoas próximas, Wellington era uma pessoa sem amigos e que passava a maior parte do tempo navegando na internet. Nos últimos tempos, estava especialmente atraído pelo islamismo – o que não deve ser motivo para que essa religião seja discriminada – e havia até deixado a barba crescer.

O fanatismo independe de credo, classe social, cor ou sexo. Nenhum desses fatores é determinante na gênese de um psicopata assassino. Muito ainda vai se descobrir sobre as motivações que levaram Wellington a alvejar crianças e adolescentes com idades entre 12 e 14 anos, justamente numa escola em que ele mesmo havia estudado.

Mas algumas conclusões já podem ser tiradas. O acesso a armamentos é muito fácil hoje em qualquer cidade do Brasil. Some-se a isso o festival infinito de informações – boas e ruins – disponível na web, e teremos o caldo de cultura para que desequilibrados, sádicos e facínoras deem asas aos seus desejos inconfessáveis.