Editorial: O carioca já não tem olhos para vigiar tantos perigos

Era só o que faltava. Primeiro, o cidadão carioca foi impedido de contemplar as belezas naturais da Cidade Maravilhosa porque passou a andar atento à aproximação de um possível assaltante ou de um pedinte indesejado. Depois, as constantes quedas de marquises sem conservação ou rebocos de prédios fizeram com que ele ficasse de olho também nas alturas. Some-se a isso o cuidado com motoristas, que dirigem como loucos, e já faltavam olhos para tantos perigos.

Pois eis que o que todos achavam impensável aconteceu: agora, os fantasmas que assolam os moradores do Rio de Janeiro brotam também do subsolo. Tubulações de gás e fiações de luz embaralhadas – e, por vezes, encharcadas por vazamentos em canos de água – andam a explodir a torto e a direito.

Só este ano, foram pelo menos 12 os acidentes em bueiros na cidade. O último deles, na sexta-feira, deixou cinco feridos e mandou pelos ares um tampão de ferro de uma tonelada. Por sorte, ninguém morreu ou ficou gravemente ferido como o casal de americanos queimado em Copacabana no ano passado.

Há cerca de dois anos, o JB denunciou a balbúrdia de cabos, fios e canos debaixo dos pés dos cariocas. Cedae, Light, CEG, RioLuz e outras menos votadas admitiram que não tinham ideia da disposição de seus circuitos. Prometeram entregar mapas à prefeitura. Mas foi há dois anos. A prefeitura, pelo jeito, não cobrou e agora ameaça as empresas. Ameaçados estão os cariocas...