Heloisa Tolipan

Faz-me rir 

Tão irônica quanto as situações contadas nos versos de Alanis Morissette é a capacidade que temos para questionar sobre o poder de nossa própria comédia de vida. E de peça em peça pregada, o cotidiano enche as mentes pensantes e ativas de material para construir uma atitude em humor. Crônica, conto, história de contador, quiçá manchete de jornal. Aliás, olha que engraçado: no melhor espírito do ‘tanto riso, tanta alegria’, esbarramos com o projeto do CCBB, que vai abrir suas portas, a partir de hoje, daqui a pouquinho às 18h30,  para um ciclo de debates sobre o quê? Isso mesmo, caros, humor. E a abertura ficará por conta de um encontro entre Denise Fraga e Ruy Castro, que levará o nome de Humor brasileiro: mínimas e máximas. Então, fomos levar um papo sério, rápido e direto com Ruy, argumento de autoridade no assunto. Nos levou a sério? Que nada, olha só...

Acha que é necessário uma estrutura descontraída, de mesa redonda, para falar de humor?

– O ideal mesmo é essa estrutura de bate-papo, em ambiente leve e com muita alegria. Mas, deve-se tomar cuidado. Dependendo do mediador, a conversa pode acabar virando um debate de doutorado na USP. Até porque, os humoristas se levam muito a sério. 

Em que momento você começou a ver o humor como uma forma de expressão?

– Essa sempre foi minha forma de expressão. Eu sempre observei os fatos da vida de um ponto de vista meio deformado. Sempre vi o lado esquisito da coisa. Se estou na rua e vejo uma casca de banana, não espero a pessoa cair, já rio antes. O humor já é intrínseco a mim.

Você fala de mau humor em seus livros. O que seria?

– Falo do humor crítico, ácido e absolutamente do contra. Todo grande humor tem que ser assim. Sem isso, não existe. 

E quais seriam os limites para que comece a perder a graça?

– Isso é muito ligado à época também. O jornal O Pasquim, em tempos de ditadura militar, parecia que estava levando a falta de limite a um certo extremo e foi censurado. Hoje, quando se analisa o material vetado, não se pode encontrar muita lógica. Esse critério é  bastante ligado ao tempo. Depois, já em anos de liberdade, veio O Casseta e Planeta, que também, aparentemente, levou os limites a extremos mais largos. Por exemplo, quando o Tancredo Neves, em uma de suas operações, em que teve como resultado voltar a evacuar, o Casseta publicou a manchete: “Tancredo está c... e andando”. Hoje, é engraçado, mas, na hora em que nele estava a esperança, era mais complicado rir disso.

Aliás, se chegarmos às bancas e olharmos jornais que não estão destinados a fazer, necessariamente, humor, percebemos que os mesmostêm dado essa abordagem mais irônica às manchetes, se justificando pela aproximação da linguagem popular.  É o Rio que não está mais se levando a sério?

– É tradição da nossa imprensa popular. Aqui no Rio existe uma visão mais sacana da questão. Tanto que, quando a Família Real veio morar aqui, o carioca logo veio passar a mão na bunda do Rei. É assim.

***

Nos caminhos de nosso Mapa Mundi 

Thiago Pethit já procurou se achar Em outro lugar, tentou orientação no Mapa Mundi, e,  agora, reuniu suas canções na caixa de CD Berlim, Texas. Aliás, já reparou como os dois títulos de discos do cantor e sua faixa de maior sucesso estão relacionadas a espaços físicos? “Não sei ao certo o porquê, mas é uma boa sensação de não pertencer a lugar nenhum. Acho que também tem muito a ver com a minha geração, que convive com a internet, em um mundo que não tem fronteiras ou uma identidade fechada. Falo de lugares diferentes para falar de uma mesma identidade. É uma busca de onde eu pertenço”, nos disse Thiago. E entre os caminhos e as curvas de descompasso com as artes cênicas, ocupação que tomava conta da rotina dele há dois anos, os encontros: com o destino da música, com as mãos da amiga Tiê: “O que me desencantou  no teatro foi não encontrar um diálogo autoral, depende-se muito do um grupo ou diretor. Além do contato com o público jovem, que eu acreditava ser mais distante. Aí, acabei estabelecendo minha liberdade com a música por intermédio da  Tiê, que  me chamou para dirigir um show dela, no qual teria umas coisas mais teatrais. E Tiê me convidou também a fazer participações musicais. Isso foi há uns  cinco anos”, disse. E no passar dos tempos do reconhecimento de um trabalho bonito, que vai além da voz doce para dominar os sentidos dos jovens ouvintes, uma carta sem remetente: o acaso. Depois de alguns anos distantes da amiga de faculdade Alice Braga, o reencontro na festa de uma amiga e a proposta de um trabalho juntos: “Conheço a Alice há mais de 10 anos, quando fizemos faculdade de arte. Só que, com as atividades, acabamos nos afastando.  Aí, no ano passado, nos reencontramos na festa de uma amiga. Ela comentou do meu trabalho como cantor, que tinha  recebido bastantes elogios e que deveríamos fazer algo juntos. Então, rolou o clipe”. Bom, depois de semana passada, quando o clipe de Nightwalker foi ao ar, não há como negar  o peso do destino na busca da qualidade. Aliás, você carioca, abençoado por Deus e bonito por natureza, pode ir treinando os passinhos da coreografia da canção, já que  Thiago Pethit fará um show no sábado, no Teatro Rival. “Toda vez que venho ao Rio, rola alguma coisa especial. Agora, não será diferente. Espero que todos dancem comigo”, afirma. E se ainda procura a potência de suas canções, Thiago, pode parar, já encontramos para você.

***

Gisele-à-porter 

Ao dar uma olhada nas fotos desta página, talvez você pense que seja apenas mais uma campanha de Gisele Bündchen. Parece, mas não é. A übermodel assina, pela primeira vez, três coleções para a C&A e, de quebra, está de volta ao foco das lentes da campanha da rede de fast-fashion. O grande pulo da gata foi acompanhar de pertinho a produção das peças, para que adquirissem, claro, traços do lifestyle da gaúcha. Ou seja, urbana e casual, mas sem deixar a sofisticação de lado. Agora já dá para realizar o sonho maior e brincar de ser Gisele, hein? Pelo menos na etiqueta.

***

Luxury 3D 

A gente acompanhou em primeira mão, na São Paulo Fashion Week, a chegada do 3D ao universo da moda brasileira, quando a Ellus criou uma sala de cinema em plena Bienal e nos fez usar os tais óculos vermelho-e-azuis para conferir um videodesfile estrelado por Aline Weber, única modelo a desfilar todos os looks com Rafael Lazzini, coadjuvante masculino da coleção. Depois da sessão, com direito a pipoca, as editoras de moda podiam conferir as peças in loco, no backstage. Agora, a pegada futurista-invernal-urbana da equipe comandada por Adriana Bozon vai virar exposição e os cariocas vão poder ver de pertinho. A mostra inédita Ellus 3D by Jacques Dequeker será inaugurada hoje,  a partir das 20h, na praça central do  Fashion Mall. Em parceria com um dos melhores fotógrafos da atualidade, o real e o virtual se encontram nesta exibição, que apresenta a trajetória 3D da marca. Com direção artística de Adriana Bozon e fotos de Jacques Dequeker, o público vai babar com 12 imagens, estreladas por Aline Weber, Cinthia Dicker, Jesus Luz e Rafael Lazzini.