Carlos Eduardo Novaes: O nome dos jogos

A casa de apostas, agora registrada na Junta Comercial sob o nome de Clã Destino sempre realiza uma “enquete do dia” antes de encerrar suas atividades. Domingo a pergunta foi: “Qual é o jogador mais importante para seu time no momento do futebol carioca?”.

Pelo tamanho do salário e da festança na sua chegada tudo levava a crer que o eleito seria Ronaldinho Gaúcho. Posso adiantar porém, que nem os rubro-negros votaram no Dentuço. Outro favorito, Conca, também não emplacou nem o placê. O argentino ainda não recuperou a forma que fez dele o mais importante jogador do Fluminense no Brasileiro. Do Botafogo nenhum jogador foi votado: a exceção do goleiro Jefferson não há ninguém que faça falta ao elenco. Ponto para quem disse Felipe do Vasco, o nome dos jogos – e não apenas de seu jogo – desta rodada da Taça Rio. Felipe foi uma unanimidade estadual exaltado por toda a imprensa escrita, falada, televisada e de uns tempos para cá computadorizada. Se transformasse em reais os elogios que recebeu por sua atuação contra o Bangu, estaria sentado sobre uma montanha de dinheiro.

Felipe está para o Vasco como Zidane esteve para a Seleção Francesa. É impressionante como um único jogador, entre onze, é capaz de operar uma plástica radical na cara de um time. Os dois jogos do Vasco na semana passada deram a medida exata da importância de Felipe. No meio da semana, sem Felipe, o Vasco não passou de um desenxabido 0 a 0 contra o ABC de Natal. Domingo, com Felipe – e um homem a mais – o Vasco esteve arrasador contra o Bangu. Como um chefe de repartição, Felipe “assinou” todas as bolas que resultaram em gol e para coroar sua atuação ainda fez o último com um chute de uma precisão cirúrgica.

A caminho dos 34 anos, Felipe reconhece que não tem mais o mesmo vigor físico do passado, mas por outro lado – como ele mesmo diz – compensa essa perda com experiência e posicionamento em campo. Felipe tem uma visão de jogo quase mágica. Achar Dedé – no primeiro gol – no meio daquela confusão de jogadores na área do Bangu foi uma jogada de quem enxerga através dos corpos. Tal virtude porem seria insuficiente se não viesse acompanhada da precisão no passe. Já viu os passes rasteiros de Felipe? A bola rola como se em uma mesa de sinuca. Diante da carência de armadores na Seleção Brasileira – e fora dela – penso que Mano Menezes poderia dar uma chance ao jogador em um desses amistosos que a CBF realiza para “fazer caixa”. Com a bola nos pés, Felipe consagra qualquer atacante.

Aqueles que falaram mal de Felipe – quase escorraçado do Vasco – bem que poderiam se penitenciar agora e oferecer ao jogador uma festa semelhante àquela que o Flamengo fez para Ronaldinho Gaúcho. Talvez maior ainda, se considerarmos a relação custo-benefício entre os dois.