Editorial: Violência também se aprende na escola

O homem atual vive um triste paradoxo: ao mesmo tempo em que avança tecnologicamente, regride socialmente. E um dos mais funestos sinais dessa regressão é o bullying, que vem se espalhando como praga pelas escolas, sejam públicas ou particulares.

Há poucos dias, a Justiça carioca condenou um colégio a pagar indenização de R$ 35 mil a uma ex-aluna, vítima da agressão dos colegas.

Se, por um lado, essa multa em nada resolve o problema da menina, que chegou a adoecer em decorrência dos maus-tratos, por outro reflete a total falta de autoridade dos profissionais da escola, que não foram capazes de lidar com o problema e zelar pela segurança de uma aluna.

No entanto, a semente de toda a escalada de violência, e que se abate também sobre professores, reside na omissão dos pais, que, muito ocupados com outras questões da vida, relegam à escola toda a responsabilidade pela educação de seus filhos.

Essa omissão, somada à culpa pela pouca atenção concedida aos filhos, resulta, por fim, no hábito de desculpar todos os erros e abusos por eles cometidos. É o que desemboca nesse rio de violência, desrespeito e falta de educação que vem marcando a ferro as gerações mais novas.

Mas há que se evitar o excesso de austeridade: como mostrou o JB da última sexta-feira, escolas americanas ainda recorrem à palmatória para educar seus alunos. Educação exige amor, doação e responsabilidade. O resto é irresponsabilidade e horror.