Celso Franco: Trânsito em foco

Dois graves problemas de saúde

Como eu esperava, face ao massacre havido em nossas sofríveis rodovias, a opinião pública, através da mídia, começa a ser alertada e informada, com a exibição de índices estatísticos, sobre os riscos que todos corremos ao dirigir, repito, em nossas sofríveis rodovias. Os números, que não mentem jamais, impressionam. É alta a possibilidade de você virar estatística. O quadro das condições de trabalho dos motoristas de caminhão está a exigir drásticas medidas de proteção a essa sacrificada classe de trabalhadores, tão importante para a economia nacional. Como são condições primordiais para o bem dirigir a tranqüilidade e o descanso, os resultados registrados de maneira irrefutável, com dados estatísticos, compilados por fontes confiáveis, não me surpreendem, embora me entristeçam. 

O Brasil com um índice de risco de 57,72, contra 7,80 da França, cujo trânsito também assusta, poderia seguir, vez por outra, o que aconselho, em coluna semanal desde 1968, tentando lhes transmitir o que aprendi na Alemanha e Holanda, com índices de 6,00 e, para minha cultura, o que aprendo, a cada dois anos, quando posso ir até a capital do Reino Unido, onde o índice de risco  é 4,60. O cálculo desse índice se consegue dividindo o número de mortos pelo número de quilômetros rodados.

Paralelamente também informam que nos países ou estados mais pobres, a probabilidade de morrer em acidentes de trânsito aumenta. Não tenho certeza se é por falta de recursos ou por malbarata-los. Afinal a arrecadação do IPVA é substancial.

Anunciaram demissões na cúpula da Polícia Rodoviária Federal, como se isso resolvesse. Estou esperando as medidas para controlarem o horário de trabalho dos motoristas de caminhão, por exemplo. Os métodos ou equipamentos modernos para o exercício da fiscalização, se possível preventiva e abrangendo o máximo dos trechos de risco.

O mais importante, no entanto, é conscientizar, através a exibição constante de fatos, ao motorista, que é quem faz o trânsito, em absoluto estado de ignorância da lei, confiante na  impunidade e com a presunção de que são os outros que se acidentam. Ele é imortal.

Paralelamente, começam também a apresentar os dados da incidência da dengue, doença que, como o trânsito, também mata.

Em ambos os casos, é imprescindível a colaboração conscientizada dos envolvidos. De nada adiantará a ação do poder público se os que estão correndo o risco, não colaborarem. A melhor maneira de conscientizar a população é alerta-la para os riscos, exibindo fatos reais chocantes, que produzam medo.

O mosquito transmissor da dengue se combate eliminando os focos em águas paradas. Já o transmissor do acidente de trânsito se mata eliminando a suposição de imortalidade do motorista brasileiro.