Heloisa Tolipan

Soletrando em verso e prosa

O trânsito do Centro da cidade em horário de pico, uma chuva torrencial, um caminho cheio de contratempos até o Teatro Rival, o anoitecer de anteontem. Só que, de outros carnavais já sabemos que, entre os caminhos da vida, o que se vale são os encontros.  Encontro de duas letras do alfabeto: J de Jorge, M de Mautner, J de Jards, M de Macalé. Encontro entre dois amigos. Encontro entre diversas gerações. Um brinde? Um som único e a harmonia prevalece entre dois nomes que, por si só, já levam um movimento nas costas. Tropicália? Contra-cultura? Diria, a favor da nossa cultura brasileira. “Conheci o Macalé em 69. Na época, fui a Londres visitar o Gil e o Caetano, no exílio, e lá tive meu primeiro contato com Macalé. Dali para o resto da vida”, nos revelou o J seguido de Mautner, enquanto era aguardado por um público que, em sua maioria, não passava dos 40. Aliás, não só no público, mas, aqui na coluna, já mostramos vários nomes de jovens músicos com projetos ligados ao resgate da multiplicidade artística de Mautner, já reparou? “O que eu falo nos meus livros e o que eu canto no meu versos. É a visão de caos no mundo, assunto que está cada vez mais atual. E o Brasil é um amálgama, onde se pode interpretar a novidade em um segundo, e , acima de tudo, pode-se absorver caminhos contrários para extrair o meio. Acredito que minha obra reflita bem isso”, acrescentou Jorge.  Bom, e já que hoje é primeiro de Abril, nada mais justo do que perguntar ao cantor qual foi a maior mentira que já surgiu em sua vida. “Que  a cultura do Brasil é inferior às outras. Essa é a pior mentira que poderiam me contar”. Mas, calúnias à parte,  ficamos sabendo, nos bastidores,  que o bbbonitão Pedro Bial também andou dando uma espiadinha na vida de Mautner. Ainda para o primeiro semestre desse ano, pretende lançar um documentário sobre a vida do cantor, que levará o nome de O filho do holocausto, mesmo título do último livro do compositor.  Estamos de olho, hein, Bial!

Pega na mentira!

Ela tem perna curta, mas não é surda. Sendo assim, selecionamos quatro mentirinhas que mexeram com o mundo da música, para celebrar mais este 1º de abril. Confira abaixo:

As russas Yulia Volkova e Lena Katina, do grupo t.A.T.u.,  protagonizaram sonhos e fetiches de muitos marmanjos no início dos anos 2000, com sua suposta sensualidade lésbica, até que, após alguns anos de sucesso, veio à tona a verdade: tudo não passava de um golpe de marketing.

A dupla norte-americana de reggae/dance Milli Vanili fez sucesso estrondoso no fim da década de 80, recebendo, inclusive, o Grammy de Artista Estreante em 1990. Porém, o prêmio foi revogado, após ser descoberto que as vozes no disco consagrado, All or nothing, não eram de Fabrice Morvan e Rob Pilatus. Ops!

O rapper Vanilla Ice, por si só, já soava como fraude, por conta de sua imagem asséptica tentando se vender como ‘mano do gueto’. Mas o mais grave foi o plágio feito em seu único sucesso: Ice ice baby era, na verdade, um sample não-assumido de Under pressure, do Queen.

Quantos roqueiros de heavy metal assumidamente homossexuais você conhece? A gente só sabe o nome do Rob Halford, líder da banda Judas Priest, que guardou segredinho até 1998, mas depois tornou-se ícone da causa gay entre os metaleiros (se é que ela existe).