Editorial: O deputado retrógrado do partido “progressista”

Parlamentar de atuação medíocre em seis legislaturas, o hoje deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) ganhou manchetes de jornais por, mais uma vez, dar declarações preconceituosas e sectárias. Desta feita, destilou seu ódio contra negros e homossexuais em entrevista exibida  segunda-feira num programa de televisão.

Notório defensor da ditadura militar, esse ex-capitão do Exército começou a ser conhecido ao liderar  manifestação por aumento do soldo em 1986. Depois da prisão por 15 dias, trilhou os primeiros passos de sua carreira política, iniciada de fato em 1988, quando foi eleito vereador no Rio de Janeiro.

Bolsonaro se opõe a tudo que lembre humanismo. Já mandou um índio comer capim para “voltar às origens”. Ignora séculos de discriminação racial e econômica ao repudiar as cotas no ensino e, sempre que pode, enaltece os ex-presidentes generais Emílio Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo. Já sobre Fernando Henrique Cardoso, afirmou certa vez que deveria ser fuzilado.

Em 2000, numa entrevista à revista Isto É, defendeu a tortura de traficantes e sequestradores e a pena de morte em crimes premeditados.

Agora, em sua última sandice, respondeu a uma pergunta da cantora Preta Gil, sobre o que faria se um filho seu namorasse uma negra, dizendo que isso seria impossível porque os herdeiros não vivem em ambiente “promíscuo”.

Como se vê, o que Bolsonaro fala não se escreve.