Leandro Mazzini: Informe JB

O troco do Brasil a Kadafi

O governo brasileiro  deve se abster de entrar na negociação de “paz”, a pedido do ditador da Líbia, Muammar Kadafi. Um episódio de 2003 pode explicar o silêncio do Itamaraty. Kadafi não é desrespeitoso apenas com seu povo, como também com líderes internacionais. O ex-presidente Lula sentiu isso na pele quando foi visitá-lo em Trípoli. Lula teve de ficar confinado toda a manhã e parte da tarde num hotel à espera do chamado de Kadafi, por questões de segurança do ditador. No fim do dia, assessores líbios mandaram duas vezes Lula preparar-se para sair, mas as operações foram abortadas. Irritado, o brasileiro não se segurou: “Fala pra esse cara que sou o presidente do Brasil. Se ele não me receber agora, vou embora para o aeroporto. Não vou fazer papel de bobo aqui”. E horas depois  foi recebido, em local ignorado. 

Memória e crédito

O caso Lula-Kadafi está relatado no livro Viagens com o presidente, dos repórteres Eduardo Scolese e Leonencio Nossa.

Nunca antes

Como diria o próprio ex-presidente Lula, nunca antes na História daquele país um presidente levou um chá de cadeira – ou hotel – tão prolongado.

No ninho

Vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores, o federal Roberto Santiago (PV-SP) assumiu a presidência da Comissão de Defesa do Consumidor na Câmara.

Cobrança

O Planalto poderá ter problemas na Câmara, no que concerne ao silêncio diante das crises no Oriente Médio. O tucano Carlos Leréia (GO)  assumiu a presidência da Comissão de Relações Exteriores e pretende convidar a turma do Itamaraty e ministros para explicarem como o Brasil pode ser afetado.

Epa, epa, epa!

O presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski, cobrou esclarecimentos ao Ministério da Educação sobre o Fundeb. O MEC diz ter reserva de R$ 1 bilhão para auxiliar prefeituras sobre o novo piso dos professores. A CNM diz que eram R$ 1,6 bilhão.

STF-Senado

Com larga experiência como magistrado e egresso do STJ, especula-se nos bastidores da toga em Brasília que o novo ministro do STF, Luis Fux, terá peito para derrubar a retroatividade da Lei do Ficha Limpa. 

Polêmica à vista

Se isso ocorrer, haverá mudanças significativas no Congresso, como a entrada de Jader Barbalho (PMDB-PA) no lugar da senadora Marinor Brito (PSOL-PA). Ele foi o mais votado, mas barrado pela lei por causa da renúncia ao Senado anos atrás.

CPI dos humanos

A senadora Marinor Brito (PSOL- PA) conseguiu as 27 assinaturas para protocolar a CPI do Tráfico Humano. Quer investigar a saída do país de mulheres e crianças para prostituição e trabalho escravo.

Números do mal

Dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes revelam que o tráfico de seres humanos é dos mais lucrativos do mundo: cerca de 2,5 milhões de vítimas/ano, movimentando US$ 32 bilhões.

Caixinha

O presidente da Câmara Federal, Marco Maia (PT-RS), fez um afago aos líderes e presidentes de comissões permanentes da Casa, promessa de campanha: assinou ato que dá liberdade de gastos de até R$ 60 mil/ano para cada comissão.

Cheque em branco

A verba é para transportes, viagens, publicações, pesquisas. Antes, até a direção da Câmara autorizar gastos, a burocracia empacava muito os trabalhos.

Aperto 

O próprio Marco Maia, quando presidente da CPI do Apagão Aéreo em 2007, passou um aperto daqueles, com pouca verba, para viajar para conhecer de perto os aeroportos.

Antes do pré-sal

O federal Ivan Valente (PSOL-SP) protocolou na Câmara projeto de decreto legislativo para realização de um plebiscito em 2012 sobre a destinação de 10% do PIB para a educação pública no país. O projeto teve apoio de 180 deputados, em frente suprapartidária.