Crítica | VOVÓ... ZONA 3 – tal pai, tal filho | Piadas mofadas

Quando Vovó... Zona estreou, há cerca de 10 anos, o sucesso foi incontestável, gerando cerca de US$ 173 milhões  nas bilheterias mundo afora. A fórmula de usar um cara magrinho travestido de senhora pra lá de gorducha agradou em cheio ao público ávido por humor de gosto duvidoso. De olho na mufunfa, os produtores repetiram o expediente uns cinco anos depois com  Vovó... Zona 2, que arrecadou 20% menos que o anterior, na bilheteria geral, e quase 40% só nos Estados Unidos. Para bom entendedor, isso já seria um aviso, mas resolveram fazer mais um, e o resultado, até o momento, é lastimável: inferior aos anteriores tanto do ponto de vista financeiro (75% abaixo) quanto do humor (100%).

Escorado no cansado carisma de Martin Lawrence, na pele do agente do FBI disfarçado de vovozona, o filme não se segura porque investe pesado nas piadas prontas, a maioria delas, inclusive, de personagens levando tombos. É de chorar. Não de rir.  

Na história (?), Trent (Brandon T. Jackson) é enteado de Malcolm (Lawrence), e não está muito ligado nos estudos, preferindo ser o rapper Prod-G. Só que o carinha atrapalhou uma investigação do padrasto para incriminar um assassino (numa cena absurda), e agora os dois precisam encontrar um pendrive escondido em uma escola de artes para mulheres. Eis que surge uma (providencial) vaga para vovozona cuidar das moçoilas no instituto, levando Trent, agora travestido de Charmaine. 

Com esse roteiro pra lá de tosco, o que se vê ao longo de quase duas horas são intermináveis tentativas de arrancar alguma risada do público, fazendo uso de personagens estereotipados, como as moças da escola, o vilão e seus dois asseclas, cenas com dancinhas, e até um rápido e surreal flerte com musicais. O texto é pura bobagem, com algumas citações musicais (Run DMC, L.L. Cool J.) e piadinhas rasas, anos-luz distante de seu objetivo, que é fazer rir.  

No elenco de desconhecidos e atuações simplistas, pode se reconhecer o oriental maluquete (Ken Jeong) do sucesso Se beber, não case! numa ponta. O destaque vai para a bonita voz da atriz Jessica Lucas (será dela?) em um dueto. Ainda na seara musical, espaço para a clássica dançante Give it me baby, de Rick James, e o clipe com todo o elenco nos créditos finais ao som de Lyrical miracle, nas vozes do próprio Jackson, Lawrence e companhia. Assim, falta frescor e sobra cheiro de mofo, mas, se ainda assim o espectador menos exigente quiser encarar o desafio, terá dois trabalhos: pegar e largar.